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“Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... A vida é "muito" para ser insignificante". (Charles Chaplin)


PARA REFLETIR!


“.... e aprendi que se depende sempre de tanta, muita, diferente gente. Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar ....”

(Gonzaguinha)

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

lITERATURA NA ESCOLA


A relevância da literatura na escola

A importância da leitura é inquestionável, não importa o ambiente onde ela ocorre: em casa, bibliotecas, igrejas, entre outros, mas é principalmente na escola que o seu papel social é exercido. As instituições escolares, responsáveis pelo desenvolvimento integral do homem, precisam utilizar frequente e cotidianamente as práticas de leitura, tanto nas salas de aula como em espaços destinados a esse fim.
Para formar-se leitores, no entanto, é imprescindível o ato de ler. O que se percebe é que muitas vezes a escola não desenvolve projetos voltados às práticas de leitura. Muitos professores, sequer, levam seus alunos à biblioteca da escola, e desconhecem a literatura infantil e juvenil ali existente. Como posso querer que meu aluno goste de ler, se eu próprio não gosto?


A realização de leituras, principalmente de literaturas voltadas para o público estudantil, é essencial no ambiente da sala de aula. Desde pequenos, na Educação Infantil, as crianças devem ter contato com obrasliterárias. Os denominados "cantinhos de leitura" são importantes para o avanço dos aprendizes nos processos referentes à aquisição das habilidades básicas de leitura e escrita. Mesmo que as crianças não saibam ler convencionalmente, o contato com as diversidades textuais são essenciais para desenvolverem essas habilidades cognitivas.

É sabido que a literatura infantil favorece consideravelmente a assimilação - com relação ao aspecto cognitivo - por parte das crianças, dos processos de letramento e alfabetização, sendo esses simultâneos e inter-relacionados, ou seja, as leituras realizadas pelos alunos e professores em sala de aula ou locais específicos para esse fim, são capazes de suscitar um desenvolvimento mais rápido das habilidades de leitura e escrita, por parte dos aprendizes, em seus usos sociais.

O estudioso José Benedito Pinto diz que a Literatura Infantil tem grande significado no desenvolvimento de crianças em diversas idades, onde se refletem situações emocionais, fantasias, curiosidades e enriquecimento do desenvolvimento perceptivo. Para ele, a leitura de histórias influi em todos os aspectos da educação da criança. Na afetividade: desperta a sensibilidade e o amor à leitura; na compreensão: desenvolve o automatismo da leitura rápida e a compreensão do texto; na inteligência: desenvolve a aprendizagem de termos e conceitos e a aprendizagem intelectual.

Para se trabalhar efetivamente a literatura com os educandos, não basta apenas ler, ela precisa, antes de tudo, ser compreensível e produzir prazer. A exploração visual, a entonação da voz e os gestos são elementos indispensáveis para uma proveitosa leitura ou contação de história. Quando a leitura é realizada de qualquer forma, sem a preocupação com o caráter lúdico que a deve compor, torna-se chata e enfadonha e, portanto, não consegue "prender" a atenção da criança, tampouco desperta o interesse destas para realizarem leituras.

Existem, basicamente, três estágios de leitura compartilhada, são eles: pré-leitura, leitura e pós-leitura. A pré-leitura refere-se ao momento antecedente à leitura propriamente dita; nesse momento, o leitor explorará recursos visuais do livro ou texto, que podem ser: imagens, cores, autor, ilustrador, dentre outros. Durante a leitura o leitor poderá fazer uso de diversas técnicas para dar um caráter interessante e lúdico ao texto, tais quais: entonação de voz, gestos, sons, dentre outros. O terceiro e último estágio refere-se a pós-leitura, ou seja, a interpretação e o entendimento do público sobre o conteúdo lido.

A literatura, apesar de todos os recursos tecnológicos ascendentes, continua fantástica, prazerosa e, especialmente, lúdica. Portanto, deve, inquestionavelmente, fazer parte da prática pedagógica do professor e da realidade de todos os estabelecimentos escolares. Corroborando com o grande e célebre escritor Monteiro Lobato: "Um país se faz com homens e livros".

Ivanilson Costa, pedagogo e mestrando em Ciências da Educação, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora às sextas-feiras.

terça-feira, 3 de julho de 2012

PAULO FREIRE


Congresso dá a Paulo Freire título de patrono da educação brasileira


Em um ato público marcado por manifestações emocionadas, a viúva de Paulo Freire, Ana Maria Freire, recebeu o certificado que declara o educador pernambucano como patrono da educação brasileira. A cerimônia ocorreu nessa quarta-feira à noite, no auditório da TV Câmara, na Câmara dos Deputados, e contou com a presença do reitor da Universidade de Brasília, José Geraldo de Sousa Junior.
Ana Maria recebeu a homenagem ao marido, falecido em 1997, das mãos da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), autora do projeto de lei que instituiu o título, aprovado por unanimidade na Câmara dos Deputados e no Senado e transformado na lei 12.612, em abril passado, após sanção da presidenta Dilma Rousseff.


Durante a homenagem, a importância da obra de Paulo Freire foi enfatizada em todos os discursos, mas houve espaço também para repercutir um dos assuntos políticos mais polêmicos da semana passada. Luiza Erundina recusou ser candidata a vice-prefeita na chapa liderada por Fernando Haddad (PT) na capital paulista, após encontro entre o candidato, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e o deputado federal Paulo Maluf. O encontro selou o apoio do PP paulista, presidido por Maluf, a Haddad.
“Paulo teria abençoado sua decisão, pela coerência e pela ética”, afirmou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o primeiro a mencionar o assunto eleitoral no evento. Ele arrancou risadas dos presentes quando disse que precisava confessar a Erundina que recentemente cumprimentou Maluf no avião. “É que sempre cumprimento as pessoas, mesmo discordando delas, como é o meu caso em relação ao Maluf. De toda forma, apesar de entristecido por sua saída da chapa, elogio sua decisão”, acrescentou.
A viúva de Paulo Freire também comentou o tema. “Nesse momento tão difícil, quero dizer que você mostrou quem realmente é”, enfatizou Ana Maria, dirigindo-se a Erundina. “Paulo gostava muito do seu lado valente, da sua ética, do seu compromisso com o povo brasileiro e certamente estaria feliz com sua decisão”, acrescentou.
Durante o ato público, Luiza Erundina disse que seu primeiro contato com Paulo Freire foi por meio de seu método de alfabetização, o qual aplicou junto a camponeses da Paraíba, seu Estado natal. “Foi um sucesso, não só pela rapidez da aprendizagem, mas também pelos efeitos, já que se tornaram cidadãos plenos, capazes de interpretar o mundo com suas próprias mentes”.
Em 1980, eles se conheceram pessoalmente. Ambos foram paraninfos de uma turma de assistentes sociais da FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas. “Ele havia acabado de retornar do exílio. Havia uma expectativa de como seria o discurso dele, se seria raivoso, ressentido, mas não foi nada disso. Foi um discurso de amor e de alegria por ter voltado ao Brasil. Ele amava muito o nosso povo”.
Quando foi eleita prefeita de São Paulo, em 1988, Erundina contou que Paulo Freire foi o primeiro nome que escolheu para sua equipe. “Quando o convidei para assumir a Secretaria da Educação, achei que não aceitaria, mas ele disse que não poderia recusar participar no primeiro governo democrático popular na principal cidade do País. Com o Paulo Freire na Secretaria, a educação pública da cidade passou por uma verdadeira revolução, reconhecida pelos educadores”, relatou.
Ela exaltou ainda a atuação do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), relator no Senado do projeto de lei que oficializa Freire como patrono de educação. “Não é fácil aprovar projetos nas duas Casas, ainda mais quando é uma proposição minha”, disse a deputada, sorrindo. Cristovam não compareceu ao ato público por estar em viagem oficial. O ministro da Educação, Aluizio Mercadante, era esperado na cerimônia, mas também não pôde comparecer, e a ausência foi lamentada pela viúva de Freire.
Reconhecimento
O ato público contou com a presença e pronunciamentos de diversos representantes da política e da educação. O reitor da UnB ressaltou os vínculos da Universidade com Freire, que integrou o Comitê Diretor da Universidade no início da história da instituição. “Ele foi um educador notável, reconhecido em todo o mundo, tendo recebido 40 títulos de Doutor Honoris Causa em universidades como Oxford, Harvard e Cambridge”, afirmou.
José Geraldo citou a Semana Universitária em homenagem a Freire no ano passado, quando o educador pernambucano teria completado 90 anos. Por ocasião da Semana Universitária 2011, a UnB concedeu a Freire o título póstumo de Doutor Honoris Causa. A homenagem foi recebida pela viúva do educador.
O deputado Newton Lima (PT-SP), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, disse que “considerar Paulo Freire patrono da educação brasileira representa uma homenagem a todos os educadores”. Para ele, esse reconhecimento coincide com uma conquista recente, que também é outra forma de homenagear Paulo Freire.
“Ontem à noite a comissão especial da Câmara aprovou o Plano Nacional de Educação, que inclui temas defendidos por Freire, como a meta de erradicar o analfabetismo entre adultos. O PNE também destina 10% do PIB do país em políticas do setor em até dez anos, mostrando ser um plano arrojado, algo que certamente deixaria Freire feliz”, avaliou.
O senador Eduardo Suplicy irá sugerir que o Senado inclua no PNE uma forma de estimular o voluntariado para reduzir o analfabetismo adulto. Prestes a se aposentar como professor de Economia na FGV de São Paulo, Suplicy contou que cogita estudar a obra de Freire para aplicar sua teoria em aulas de alfabetização a adultos. “Imagina se todos nós, professores universitários, dedicássemos umas horas para essa missão. A obra de Freire é muito inspiradora. Muito mais do que educador, ele foi um professor dos melhores valores que conhecemos”, afirmou, emocionado.
O professor aposentado da UnB Venício Lima, que há trinta anos publicou o livro “Comunicação e cultura: as ideias de Paulo Freire”, ressaltou que Freire não foi pioneiro somente na educação, mas em áreas como a comunicação humana. Ao fim dos discursos dos presentes, Ana Maria Freire recebeu, comovida, o certificado de Paulo Freire e disse que essa homenagem, idealizada no ano passado, é a mais importante de todas as que o marido recebeu. “O extenso currículo de Paulo, tão cheio de títulos e homenagens, hoje se completa”, finalizou a viúva.

Aprendiz

terça-feira, 26 de junho de 2012

Desafio da escola: formar pensadores



Um dos maiores desafios para as escolas do século XXI é formar pessoas capazes de refletirem sobre o mundo e as problemáticas que o circunda. Livros volumosos e caros, computadores com acesso à internet de alta velocidade, tablets e tantas outras ferramentas pedagógicas, por si só, não garantem a formação de um cidadão crítico e reflexivo. É preciso que as instituições escolares, em especial os professores e educadores, resgatem o exercício do pensar nos seus espaços de sala de aula, visando garantir a formação efetiva e integral dos seus educandos e integrando temas geradores de discussões sociais.


Muitos professores erram ao pensar que o mero contato ou acesso dos alunos às informações garantem aprendizagem, entretanto, não é bem isso o que ocorre. Para que haja uma aprendizagem efetiva é fundamental que o indivíduo, no caso o aprendente, assimile essa informação - adquirida por meio de livros, sites, blogs, dentre outros - e a acomode em suas estruturas cerebrais, desencadeando as famosas sinapses, de forma que se configure a aprendizagem. A esses dois processos, o epistemólogo suíço, Jean Piaget, deu o nome de "assimilação e acomodação".

Muitos estabelecimentos de ensino são verdadeiros monstros devoradores, porque devoram sem dó nem piedade crianças e adolescentes, incutindo-lhes o desejo desenfreado de serem aprovados no vestibular desde tenras idades. Na maioria das vezes, essas escolas oferecem um ensino puramente tradicionalista, pautado apenas na recepção passiva de informações, sem ocorrência da construção do conhecimento por parte dos alunos. Ora, já é sabido que o que é realizado pelos educandos têm mais significado para estes. Como poderemos então forçar-lhes a aprender uma coisa que não faz sentido, tampouco faz parte de sua realidade?

Para formar pensadores é preciso que o professor, primordialmente, seja um sujeito instigador, facilitador, mediador, pesquisador e questionador das ideias e concepções vigentes. O educando precisa compreender que os conhecimentosdispostos para a humanidade não estão "prontos e acabados", mas em constante processo de reformulação e dinamicidade. É essencial que o aluno entenda que ele próprio pode contribuir para essa reformulação. Trata-se de formar indivíduos críticos, conscientes e agentes de mudanças na sua comunidade.

Um dos métodos eficazes na Grécia Antiga, e que ainda surte muito efeito na Educação, é maiêutica. A maiêutica, palavra grega que significa "arte de trazer à luz", foi um método criado pelo filósofo grego Sócrates, e que consistia em questionar os argumentos apresentados pelas pessoas, de forma que através desses questionamentos, o indivíduo percebesse a fragilidade e muitas vezes o equívoco de suas convicções a respeito de algum assunto. Os estímulos maiêuticos nada mais são do que a proposta de desenvolvimento da autonomia do cérebro, isso no que diz respeito ao aspecto da cognição, através de perguntas criativas e propositivas. Não se trata de "despejar" perguntas e mais perguntas para os alunos, mas lançá-las deforma planejada e sistematizada, procurando sempre, através dessas indagações instigantes e desafiadoras, suscitar o imaginário e a reflexão no sujeito.

Formar crianças, jovens, adultos e idosos baseados na "decoreba" do Ensino Tradicional é um crime, tanto contra a produção intelectual do país, como para os próprios aprendizes, que levarão para o resto de suas vidas as marcas de um ensino deficiente e incompetente.

Ivanilson Costa é pedagogo, mestrando em Ciências da Educação, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora às sextas-feiras.

Diário de Natal 

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Pais devem estimular leitura para futuro brilhante do filho



Quanto mais cedo a criança adquirir o hábito de leitura, melhor. Foto: Shutterstock/Terra
O livro pode, e deve, ser um dos melhores amigos de seu filho. Os benefícios dessa relação são inúmeros e estarão presentes em sua vida até na hora de se sair bem no trabalho. A Fundação Nacional de Leitura Infantil (National Children's Reading Foundation), dos Estados Unidos, afirma que, para a criança de zero a 5 anos, cada ano em contato com um livro equivale a 50 mil dólares a mais em sua futura renda.
Ao mesmo tempo, a criança que lê tem contato com um mundo rico de aprendizagem e diversão. "O hábito da leitura ajuda a criança a desenvolver habilidades como a criatividade, a análise, o senso de crítica e o poder de argumentação", afirma a professora Suzy Vieira Março de Souza, do Colégio AB Sabin.

O papel dos pais nesse momento de introdução à leitura é fundamental, e pode influenciar o gosto do filho pela leitura no futuro. Segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", de 2011, publicada pelo Instituto Pró-Livro em março, 63% dos entrevistados que não são leitores nunca viram a mãe lendo e 87% nunca foram presenteados com livros na infância. O estudo também revelou que para 88% dos entrevistados ganhar livros teve muita influência no gosto pela leitura.

1º livro
Os pais encontram em livrarias ou lojas de brinquedos educacionais livros que são indicados para bebês que nem engatinham ainda. Existem alguns de pano, outros de plástico para a hora do banho e até páginas de exalam cheiros para estimular a criança. O importante é que o livro faça parte de sua vida desde sempre.

Ler para o filho
Ao ler para o filho, cria-se um momento de proximidade na família, no qual os laços ficam mais estreitos. Isso porque a leitura permite que todos entrem em contato com seu lado emocional. É importante interagir com a criança depois da leitura, perguntar o que ela achou, estimular que conte para os outros a história e até perguntar o que ela acha que vai acontecer em seguida. "Quando as crianças ouvem o adulto lendo uma história, estabelecem contato com a linguagem formal dos livros e com o texto escrito, o que as motiva a aprender", diz Suzy.

Temas interessantes
Compre livros com assuntos de interesse da criança. É importante começar com edições que usem muitas ilustrações, letras grandes e linguagem acessível aos pequenos. "Com crianças menores, os livros excessivamente ilustrados possibilitam o desenvolvimento da linguagem, além de aprimorar a criatividade", destaca Suzy. Fique atento à idade e a faixa etária indicada no livro. Pedir sugestões para amigos e professores também é uma ótima saída.

Benefícios da leitura
"O livro, além dos conteúdos escolares, abre os olhos dos leitores para outras dimensões. É um olhar que vai além do didático, que vai permitir a formação da cidadania e dar as ferramentas do conhecimento. Um olhar que permite ao cidadão desenvolver a capacidade de reflexão e análise", disse a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, durante a divulgação da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil".

Coletânea Editorial
Especial para o Terra
Terra

domingo, 18 de março de 2012

Educação é um ato de amor


Educação é um ato de amor, por Ivanilson Costa

Quero, através desde pequeno e modesto texto, parabenizar a todos os professores aprovados e convocados para o exercício de licenciatura na Rede Estadual de ensino do Rio Grande do Norte. Com certeza, uma grande renovação na Educação estadual, pois muitos são recém-formados e estão confiantes e com muitas expectativas de um bom trabalho. Apesar de tantas dificuldades, injustiças e desvalorizações, existem professores apaixonados, que sonham e fazem sua parte para isso: mudar o mundo, não solitariamente, pois isso seria impossível, mas com a preciosa ajuda de seus aprendizes. Oxalá, que todos esses 3.500 professores e especialistas não sejam mercenários da Educação, realizando o seu trabalho de qualquer jeito, sem gostar do que faz, sem amar mesmo. Sim, porque o amor à Educação é primordial. Já ouvi muito professor falar: “Ah, no começo era tudo muito bom, eu amava a Educação; hoje, não existe mais amor”. Mas esse profissional está equivocado: nunca amou, pois o amor não morre e, se por acaso morreu, é porque não existia amor.
Compartilho com vocês um texto do célebre educador Gabriel Perissé “Professor apaixonado”. Vamos fazer a diferença, professores!

Professores e professoras apaixonadas acordam cedo e dormem tarde, movidos pela ideia fixa de que podem mover o mundo.
Apaixonados, esquecem a hora do almoço e do jantar: estão preocupados com as múltiplas fomes que, debilitam as inteligências.
As professoras apaixonadas descobriram que há homens no magistério igualmente apaixonados pela arte de ensinar, que é a arte de dar contexto a todos os textos.
Não há pretextos que justifiquem, para os professores apaixonados, um grau a menos de paixão, e não vai nisso nem um pouco de romantismo barato. Apaixonar-se sai caro!
Os professores apaixonados com ou sem carro buzinam o silêncio comodista, dão carona para os alunos que moram mais longe do conhecimento, saem cantando o pneu da alegria.
Se estão apaixonados, e estão, fazem da sala de aula um espaço de cânticos, de ênfases, de sínteses que demonstram, pela via do contraste, o absurdo que é viver sem paixão, ensinar sem paixão.
Dá pena, dá compaixão ver o professor desapaixonado, sonhando acordado com a aposentadoria, contando nos dedos os dias que faltam para as suas férias, catando no calendário os próximos feriados.
Os professores apaixonados muito bem sabem das dificuldades, do desrespeito, das injustiças, até mesmos dos horrores que há na profissão.
Mas o professor apaixonado não deixa de professar, e seu protesto é continuar amando apaixonadamente.
Continuar amando é não perder a fé, palavra pequena que não se dilui no café ralo, não foge pelo ralo, não se apaga como um traço de giz no quadro.
Ter fé impede que o medo esmague o amor, que as alienações antigas e novas substituam a lúcida esperança.
Da aula não é contar piada, mas quem dá aula sem humor não está com nada, ensinar é uma forma de oração.
Não essa oração chacoalhada de palavras sem sentido, com voz melosa ou ríspida. Mera oração subordinada, e mais nada.
Os professores apaixonados querem tudo. Querem multiplicar o tempo, somar esforços, dividir os problemas para solucioná-los. Querem analisar a química da realidade. Querem traçar o mapa de inusitados tesouros.
Os olhos dos professores apaixonados brilham quando, no meio de uma explicação, percebem o sorriso do aluno que entendeu algo que ele mesmo, professor, não esperava explicar.
A paixão é inexplicável, bem sei.
Mas é também indispensável.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Para lidar com geração Z, professor recorre às redes sociais

É findada a era em que professores, frente a um quadro negro abarrotado de informações, falavam sem parar a uma turma concentrada e silenciosa. Atualmente ocupando as classes de ensino fundamental e médio, a "geração Z" acabou com o reinado das aulas expositivas. Já não basta intercalar conteúdo e exercícios: para atrair a atenção dos jovens, a tecnologia é a principal aliada dos professores.
Lecionando química há 15 anos, o professor e coordenador pedagógico do colégio Oficina do Estudante, de Campinas (SP), Anderson Dino, conhece bem as características da geração, formada por nascidos a partir da segunda metade da década de 1990.
"Eles são multimídia, fazem muitas coisas ao mesmo tempo. Estudam com o celular na mão e o Facebook aberto, enquanto ouvem a conversa dos pais e fazem carinho no cachorro com o pé", exemplifica.
Render-se ao perfil mais agitado dos jovens foi a saída que Dino encontrou para conquistá-los logo no primeiro encontro. Hoje, o conteúdo de suas aulas pode ser encontrado em um blog e em suas contas de Facebook, Twitter, YouTube e Tumblr. "Eu crio tirinhas de humor e memes (ilustrações cômicas que se propagam na rede) sobre química, converso com eles pelo bate-papo, gravo aulas e coloco no YouTube. Quando o professor faz essas coisas, os alunos respeitam", garante.
Segundo a psicóloga Paula Pessoa Carvalho, que cursa especialização em Teoria Clínica Analítico Comportamental na USP, os educadores de hoje devem investir no dinamismo e na criatividade. "Os trabalhos que favorecem a interação com o outro são os mais indicados, assim como aqueles que utilizam a tecnologia, tão familiar à geração Z. Atividades muito sistemáticas não terão sucesso", avalia. Os anos de experiência ajudaram o professor a compreender o perfil dos alunos e, a partir disso, planejar aulas que evitassem dispersar a turma. Ele garante que o segredo para manter a turma atenta é intercalar minutos de exposição com a participação direta dos jovens.
Paula acredita que o ambiente e a estrutura curricular e os métodos de ensino tradicionais estão ultrapassados. "Os alunos não conseguem ficar focados no que está sendo ensinado, e o resultado disso é a falta de interesse e o baixo rendimento", aponta. O papel do professor no desenvolvimento do aluno também parece ter diminuído.
Para Dino, o pouco contato que gerações como os "baby boommers", nascidos entre as décadas de 1940 e 1960, tinham com os adultos dava força à voz do professor. Hoje, o cenário é diferente. "Antigamente, as únicas referências eram pai, tio, padrinho, padre. A geração da internet tem mil amigos no Facebook, 500 seguidores do Twitter. O professor é só uma referência entre outras muitas que eles têm", reforça.
Mesmo que as abordagens via redes sociais funcionem, pais e professores devem estar atentos também ao desenvolvimento do aluno no campo pessoal já que, entre as deficiências dessa geração, está a dificuldade em se relacionar. Para evitar o problema, a psicóloga comportamental Jéssica Fogaça destaca a importância do acompanhamento da família. "Os pais podem ajudar realizando outras atividades sociais com os filhos, apresentando outros estímulos. É importante ampliar o repertório das crianças e jovens", afirma.
A especialista em clínica analítico-comportamental infantil também aponta as atividades físicas como uma boa opção para sair do ambiente tecnológico. "Os esportes são muito indicados, desde futebol, passando por artes marciais, que são ótimos para exercer a disciplina, até as danças, que estimulam a coordenação motora, a expressão artística, o convívio social e a produção de endorfina", explica.
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

e“O Google está destruindo nossa memória”, afirma estudo Professores de psicologia da Universidade de Columbia, Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de Harvard, todas nos EUA, fizeram uma descoberta que, em um mundo todo conectado, pode deixar muitas pessoas assustadas. Eles descobriram que a ferramenta de busca do Google está destruindo nossa memória. Basicamente, “estamos nos tornando simbióticos com as ferramentas de computador, crescendo dentro de sistemas interconectados que fazem com que nos lembremos menos da informação em si, e mais de onde podemos achá-la”, segundo a pesquisa. Explicando a grosso modo, ao invés de nos lembrarmos o nome de cada presidente do Brasil, por exemplo, nós nos lembramos onde podemos encontrar a lista com esses nomes no Google. Essa memória é a chamada “memória externa”, e é a que está prevalecendo sobre a interna. A pesquisa diz que quando as pessoas procuram as mesmas informações em um segundo momento, eles têm baixas taxas de lembrança sobre a informação em si e taxas maiores quando o assunto é saber localizar esses dados todos. (Olhar DigitalESTUDO AFIRMA: QUE O GOOGLEO ESTÁ DESTRUINDO NOSSA MEMÓRIA

Professores de psicologia da Universidade de Columbia, Universidade de Wisconsin-Madison e da Universidade de Harvard, todas nos EUA, fizeram uma descoberta que, em um mundo todo conectado, pode deixar muitas pessoas assustadas. Eles descobriram que a ferramenta de busca do Google está destruindo nossa memória.
Basicamente, “estamos nos tornando simbióticos com as ferramentas de computador, crescendo dentro de sistemas interconectados que fazem com que nos lembremos menos da informação em si, e mais de onde podemos achá-la”, segundo a pesquisa.

Explicando a grosso modo, ao invés de nos lembrarmos o nome de cada presidente do Brasil, por exemplo, nós nos lembramos onde podemos encontrar a lista com esses nomes no Google. Essa memória é a chamada “memória externa”, e é a que está prevalecendo sobre a interna.
A pesquisa diz que quando as pessoas procuram as mesmas informações em um segundo momento, eles têm baixas taxas de lembrança sobre a informação em si e taxas maiores quando o assunto é saber localizar esses dados todos.

(Olhar Digital)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sobre a disciplina de Língua Portuguesa

O processo de ensino e de aprendizagem da Língua Portuguesa tem sido um desafio permanente para os professores e educadores. Por  ser a ferramenta básica para a construção e elaboração de conhecimentos em todas as áreas do saber, é um dos elementos centrais na formação do aluno. Não é possível aprender História, Ciências, nem mesmo Matemática, sem o domínio da leitura e da escrita em Língua Materna, pois, ao fim e ao cabo, todas as disciplinas escolares têm como meio de expressão a Língua portuguesa.

            A necessidade de formação de um aluno com adequadas habilidades para ler, escrever e se expressar oralmente é uma imposição do século XXI. Isso se deve ao fato de que a informação circula incessantemente e deve ser aprendida e, sobretudo, filtrada, como ao fato de que as pessoas são cada vez mais solicitadas a se expor publicamente, seja pela fala ou por documentos escritos ( a produção de trabalhos técnicos e acadêmicos, a solicitação de um reembolso, de uma benfeitoria em seu bairro, a manifestação de uma reclamação, etc.). O sujeito capaz de ler e interpretar adequadamente um texto torna-se mais apto ao exercício de sua cidadania, mais crítico e assim, mais preparado para intervir na sociedade, além de ser capaz de estabelecer parâmetros de avaliação para a imensa quantidade de informações que está ao seu alcance.
            O mundo mudou, as crianças e os jovens que frequentam a escola mudaram, transformou-se profundamente a relação com o conhecimento e é impossível não pensar no ensino e na aprendizagem da Língua Portuguesa dentro desse novo cenário. Refletir sobre práticas de ensino de leitura e escrita na era da informação deve ser exercício constante, seja esta informação transmitida por meio impresso ou eletrônico, nas mais diversas mídias. Visto que, formar alunos capazes de transitar pelo universo da escrita e da leitura com a desenvoltura que nossos tempos requerem, é um grande desafio para professores e educadores.
            Dentro dessa perspectiva, são objetivos centrais do trabalho com a Língua Portuguesa:
·        Fornecer subsídios para que o aluno, gradativamente, desenvolva e aprimore suas possibilidades de reflexão sobre a linguagem e seu funcionamento;
·        Expor o aluno aos mais variados tipos e gêneros textuais, contribuindo para que ele tenha experiências de leituras ricas e diversificadas e que possa ler textos de níveis crescentes de complexidade;
·        Oferecer elementos para que o aluno venha a produzir textos, coerentes e claros e que alcancem seu propósito comunicativo – expor, informar, entreter, narrar, etc., conforme o gênero e o tipo escolhidos.
            Assim, devemos sempre lembrar que estamos vivendo um tempo de comunicação rápida, de profusão de imagens, de linguagens sintéticas, de novas formas de organização de mensagens – verbais ou não verbais. Essas transformações na comunicação exigem dos indivíduos, cada vez mais, o pleno domínio de diferentes linguagens.

Por Maria Auxiliadora Ferreira
Professora de Língua Portuguesa  da  Escola estadual Isabel Oscarlina Marques Ensinos Fundamental e EJA- Santa Cruz/RN. Graduada em LETRAS pela Universidade federal do Rio Grande do Norte.

sábado, 10 de dezembro de 2011

A importância de se educar para as emoções


Por muito tempo, e até os dias atuais, as ideias de Alfred Binet sobre a mensuração da inteligência por um único teste padronizado de inteligência, o chamado Quociente Intelectual – QI, foram utilizadas em inúmeras seleções e avaliações psicológicas, sendo determinante para o reconhecimento e ascensão de um bom estudante ou profissional.
Com o passar do tempo e a contestação dessas ideias por outros estudiosos, como o psicólogo Howard Gardner, por exemplo, que desenvolveu a teoria das Inteligências Múltiplas, os fundamentos de Binet foram, aos poucos, sendo substituídos por conceitos mais elaborados e profundos sobre o comportamento e o desenvolvimento psicológico dos indivíduos.


Apesar de se saber da importância da intelectualidade no século presente, essa capacidade não se constitui como única determinante para o pleno desenvolvimento psicointelectual do sujeito, pois é muito relevante também que o indivíduo possa se desenvolver emocionalmente, o que Daniel Goleman chama em seu livro “Inteligência Emocional” de Quociente Emocional – QE. Goleman ressalta que a crise que a humanidade vive hoje, com aumento da criminalidade, violência e infelicidade é o reflexo de uma cultura que se preocupou apenas com o intelecto, esquecendo o lado emocional da pessoa.
Tanto o QI quanto o QE podem ser desenvolvidos e potencializados, dependendo da orientação da pessoa que pretenda desenvolvê-los. Concebe-se, portanto, que esses quocientes não têm a qualidade de serem estáticos, mas podem ser aprimorados e desenvolvidos durante a vida do indivíduo.
Ainda segundo os estudos de Goleman as pessoas só utilizarão 15% do que aprenderam na escola na sua vida prática, enquanto a inteligência emocional demanda 85% da capacidade do indivíduo na sua convivência social.
O questionamento que se faz é: Por que se dá tanta ênfase ao ensino apertado, ao cumprimento rigoroso de programas, provas, testes dentre outros, e se ignora ou desconhece-se a Inteligência Emocional? Não é proveitoso formar-se adultos, estudiosos, cientistas cultos se não sabem lidar com o outro, se são sujeitos frios, desprovidos de sensibilidade e humanismo.
A importância de se educar as emoções é notável, pois uma pessoa educada, emocionalmente, é um ser equilibrado, que sabe lidar com uma variedade de situações do cotidiano e com as pluralidades de ideias, pessoas e sentimentos. Destaca-se que educar para as emoções não significa abandonar os conteúdos do currículo escolar convencional, mas integrá-las de forma que sejam trabalhadas constantemente, destacando sempre seu caráter inter e multidisciplinar.
Como destaca o educador Paulo Freire “e escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima”. A escola não é uma mera construção de concreto e cimento, mas uma célula viva, viva como a própria educação, não consiste, portanto, numa experiência fria, mas repleta de ações, vivências e emoções.
As instituições escolares e os pais precisam atentar para o fato de que qualidade no ensino não significa horas exaustivas de estudos e notas boas, mas a capacidade do educando ser autônomo, ter autonomia para (re) elaborar conhecimentos; colaborativo, saber lidar com o outro e trabalhar em equipe; e um ser criativo, dinâmico. O memorável educador Rubem Alves destaca que muitas escolas  não passam de jacarés. Devoram as crianças em nome do rigor, do ensino apertado, da boa base, do preparo para o vestibular. É com essa propaganda que elas convencem os pais e cobram mais caro... Mas e a infância? E o dia que não se repetirá nunca mais? Infelizmente o Brasil ainda tem muito dessas escolas, “escolas jacarés”.

Educação multidisciplinar: uma forma de despertar o prazer pelo aprendizado

Uma verdadeira estratégia para conseguir a atenção dos alunos e dar mais sentido aos conteúdos ensinados na escola. Assim é a multidisciplinariedade, quando são trabalhadas várias disciplinas de maneira relacionada. Características que podem ser consideradas aliadas poderosas para garantir um aprendizado mais efetivo com diferentes perfis de alunos. “Trabalhar com interdisciplinariedade é fundamental, principalmente para os alunos que tem dificuldade de aprendizado. Se o estudante não aprende da maneira tradicional é preciso recorrer a outros métodos”, afirma a psicopedagoga Walkíria Garcia, especialista na área.
Essa forma de ensinar fica ainda mais interessante quando esse trabalho é exposto pelos alunos para os familiares, amigos e até para a comunidade.
Afinal, o estudante se sente estimulado em mostrar o que aprendeu para outras pessoas, se dedica para fazer algo bem feito e acaba aprendendo de uma forma bem mais razerosa.  A escola Pé de Moleque Maxxi Educacional, em Lagoa Santa, região metropolitana de Belo Horizonte, mostra todos os trabalhos multidisciplinares de seus alunos do Infantil ao Fundamental em dois eventos abertos ao público: a Entrelivros (entre outubro e novembro), que envolve literatura, inglês, espanhol, artes e ciências humanas; e a ETC, Encontro de Ciências e Tecnologia, (junho), onde os alunos organizam oficinas para serem realizadas com os pais e familiares envolvendo conteúdos de matemática e ciências naturais, fazendo uso, sempre que possível das tecnologias disponíveis na escola.
De acordo com a psicopedagoga Walkíria Garcia, que atende alunos com dificuldade de aprendizagem do Maxxi, quando os eventos multidisciplinares se aproximam os estudantes ficam mais empolgados. “Sempre que o ETC ou a Entrelivros acontece eles comentam bastante. Ficam entusiasmados e cheios de expectativas”, diz a especialista.  “Estes eventos contextualizam e dão significado aos vários projetos de trabalhos realizados durante o ano. Nenhum projeto é desenvolvido somente para mostrar nesses eventos. Mas, ao saber que os projetos que estão desenvolvendo em sala podem fazer parte desses eventos, tudo ganha um significado maior. Os alunos conseguem vislumbrar objetivos mais práticos e próximos à realidade deles”, conta a diretora da escola, Cristina Detomi.

Alunos abertos a ensinar e a aprender
A Entrelivros, um dos eventos mais importantes deste calendário multidisciplinar, surgiu juntamente com a escola, há 25 anos. E ganha mais importância por movimentar a área cultural da cidade, trazendo uma feira de livros e apresentações de música, teatro e dança abertas ao público (como Giramundo e Maurício Tizumba). Hoje, o evento reúne trabalhos do ensino Infantil e Fundamental, e acontece durante um final de semana.

Já o Encontro de Tecnologia e Ciências (ETC), começou a ser realizado há cinco anos, e reúne os trabalhos dos alunos do 5º ao 9º ano, dedicados a atividades multidisciplinares que envolvem pesquisa e trabalho em conjunto com os pais. No evento, os próprios estudantes ministram oficinas para os pais, aplicando seus conhecimentos adquiridos em matemática, ciências (física, química, biologia) e ecologia sustentável. Por fim, se criam equipes e o aprendizado acontece em mão dupla, dos filhos para os pais e dos pais para os filhos.
“Em termos práticos, os resultados vão além da busca e da troca de conhecimentos, que é um dos objetivos principais. Mas ampliam a visão de mundo dos alunos, pois cada tema é visto de forma mais profunda. Além disso, exploram a criatividade e o desenvolvimento da linguagem oral”, reforça Cristina Detomi.

Talita Camargos | Luana Oliveira
Assessoria de Imprensa - Virgulinas Comunicação

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

TEMA DA REDAÇÃO DO CONCURSO PARA PROFESSOR DA REDE ESTADUAL DE ENSINO DO RN

Educadores contam como aprenderam com seus erros

Professores têm a competência de verificar habilidades, testar a compreensão de conteúdos e ajudar cada estudante a reconhecer (e superar) os erros. Mas e quando o equívoco vem deles próprios? Fingir que nada ocorreu não é a melhor saída. Ao contrário: se ficar evidente que alguma atividade não deu certo em razão de uma falha pessoal, a autocrítica é fundamental para melhorar a atuação profissional.

O ideal é que essa reflexão seja vivenciada de forma madura, sem culpa ou rigor excessivos (afastando o risco de mergulhar no perfeccionismo, que paralisa a ação) e complacência extremada (resvalando na atitude de quem a todo instante diz "tudo bem, deixa para lá"). Medo ou vergonha são outros sentimentos que não cabem nessa hora. Afinal - não machuca repetir essa obviedade -, todo mundo erra. Mesmo grandes autoridades em Educação, profissionais respeitados que ocupam cargos centrais no governo, pesquisadores de Universidades influentes, formadores de professores e autores de livros que inspiram algumas de nossas melhores aulas.

Nesta reportagem, quatro grandes mestres - Lino de Macedo, Regina Scarpa, Maria do Pilar e Mário Sérgio Cortella - discutem os equívocos na atuação profissional de uma maneira bastante peculiar: contando as próprias experiências (leia os depoimentos nas próximas páginas). Alguns tropeços podem parecer familiares: falar demais e alongar a parte expositiva, despejar conteúdo sem levar em conta o ritmo dos jovens e seu universo cultural, desconsiderar as necessidades de alunos com deficiência e negar o próprio papel ao levar em conta somente os interesses das crianças.

A lista de falhas é diversa, mas a postura para avançar é a mesma: analisar o que falhou, por que e como isso ocorreu. Muitas vezes, basta o distanciamento temporal do deslize para percebê-lo. Em outras ocasiões, são as conversas com os colegas que nos trazem o alerta e, em muitos casos, o estudo e a leitura são importantes aliados para a reflexão.

"Todos nós erramos algumas vezes, ou seja, pensamos ou agimos de um modo que um dia terá, talvez, que ser revisto", afirma Lino de Macedo. Essa revisão de ideias, pensamentos e ações exige uma visão relativista do erro - isso significa ter em mente que o que não funciona em uma determinada classe, num determinado momento, pode muitas vezes dar certo em outro contexto. Confira nas páginas seguintes o relato de cada um. Com a coragem de apontar seus próprios equívocos, eles nos indicam caminhos para superar nossos desafios.

 Publicado em NOVA ESCOLA Edição 230, Março 2010.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

homenagem ao educador brasileiro Paulo Freire


O Instituto Paulo Freire e a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP) realizam no dia 10 de novembro, em São Paulo, o encontro “Educação como Ato Político, de Produção e de Conhecimento“. A iniciativa é uma homenagem ao educador Paulo Freire (1921-1997) que teria completado 90 anos no último dia 19 de setembro.
O encontro também tem a intenção de contribuir para a formação de educadores interessados em dialogar sobre políticas públicas de educação, valendo-se das contribuições do legado freiriano para a disseminação de práticas e teorias educativas emancipadoras.

O evento acontece na sede da FEUSP, das 8hs às 18hs, e conta com o apoio da Editora e Livraria Instituto Paulo Freire (Ed,L), da Casa da Cidadania Planetária (CPP), além de patrocínio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Mais informações sobre o encontro podem ser obtidas no site: http://90anos.paulofreire.org

Com informações do Instituto Paulo Freire

domingo, 30 de outubro de 2011

POESIA NA ESCOLA

Poesia na escola

Em Itapipoca, a pouco mais de 200 quilômetros de Fortaleza, uma professora respira poesia desde a infância. Na escola onde trabalha, ou nas informações pela internet, ela auxilia outros professores a fazerem da poesia um estímulo ao aprendizado.
Itapipoca é a terra natal do Tiririca, aliás, Francisco Everardo Oliveira Silva, deputado federal eleito por São Paulo em 2010, na segunda maior votação para a Câmara na história do País.
Mas não é a figura dele que está em pauta e sim a de Emiliana M. S. Teixeira, pedagoga e especialista em metodologia do ensino fundamental, graduanda em Letras-Inglês pela Universidade Federal do Ceará/Universidade Aberta do Brasil (UFC-UAB) e pós-graduanda em Mídias na Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Começar com as primeiras letras

“Desde criança, me encantei com a escrita e a leitura. Com 12 anos, ganhei um violão de minha mãe. Desde então, nunca mais parei de escrever sobre dores, paixões, alegrias, tristezas, ilusões e desilusões. Precisava falar do meu mundo e do mundo ao mundo”, conta a professora.
Perguntada sobre qual a melhor idade para se gostar de poesia, ela diz que “tudo deveria começar com as primeiras letras, pois as crianças têm grande sensibilidade e capacidade de aprendizagem. Desde o pré-escolar as crianças aprendem músicas infantis que tratam do seu dia a dia. A música é pura poesia e as crianças já têm contato com ela sem ter o conhecimento. O professor, salvo raras exceções, também não tem consciência desse ato, do trabalhar poesia, ensinar com poesia”.
Repensar a prática dos professores é o caminho para a conscientização, segundo ela, “pois a poesia pode ser trabalhada em qualquer disciplina, em qualquer momento e desde cedo. Assim, os alunos vão apreciando o belo: o balanço das folhas de uma árvore, o canto dos pássaros, a música natural do ambiente, os sons do rio, da chuva e do vento, o surgimento do sol e da lua, até atingirem um amadurecimento poético e intelectual”.

O que afasta professores da poesia

“Buscar o novo dá trabalho”, afirma a professora. “Não é fácil sair da rotina. Quando se fala em poesia, alguns se sentem analfabetos no assunto. Outros se interessam por acharem bonito e por terem alguma vocação para a escrita, o dom de brincar com as palavras e colocá-las no lugar certo. Mas a resistência é grande. Esse tema deveria ser trabalhado nos cursos de capacitação, nos planejamentos mensais. Acredito que a escola deveria realizar mais projetos envolvendo a poesia, como saraus e concursos de redação.”
“Cada professor se aprofunda naquilo em que já tem alguma aptidão ou conhecimento. Os que sentem os encantos de um belo texto sempre buscam mais sobre o fazer poético. Eles trabalham na sala de aula com dinâmicas e metodologias renovadoras, seleção de bons livros, bons autores, músicas. Também acho interessante o trabalho com os poetas da terra, para que se conheça a cultura local, pois há uma grande riqueza no folclore”, sugere a professora.
Para ela, “uma dica seria trabalhar a poesia com calma, a partir de livros mais simples e músicas infantis para, em outra etapa, avançar com os clássicos. Os alunos deveriam ser motivados a escrever sobre o que veem e o que sentem. É importante deixar que falem e produzam o que quiserem para depois, em avaliações, proporcionar a eles a melhoria dos seus conhecimentos”.
“A poesia deveria ser trabalhada de maneira interdisciplinar, porque quando penetra na mente dos pequenos leitores, aumenta a capacidade de raciocínio deles, e esse é um primeiro passo para se criar o hábito da leitura e da escrita”, complementa.
A professora Emiliana M. S. Teixeira tem trabalhos publicados em antologias, jornais e concursos no Brasil e na América Latina. Participou de obra em homenagem a Noel Rosa, na Bienal do Livro, em setembro passado no Rio de Janeiro.
Atualmente, organiza o livro “Estalos Poéticos” - uma Coletânea Literária de Itapipoca, apenas com escritores da sua cidade. Também prepara um livro de poemas e crônicas para o público infanto-juvenil.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Emília Ferreiro, a estudiosa que revolucionou a alfabetização


Emilia Ferreiro, a estudiosa que revolucionou a alfabetização
Emilia Ferreiro. Foto: Antônio VargasNenhum nome teve mais influência sobre a educação brasileira nos últimos 30 anos do que o da psicolinguista argentina Emilia Ferreiro. A divulgação de seus livros no Brasil, a partir de meados dos anos 1980, causou um grande impacto sobre a concepção que se tinha do processo de alfabetização, influenciando as próprias normas do governo para a área, expressas nos Parâmetros Curriculares Nacionais. As obras de Emilia - Psicogênese da Língua Escrita é a mais importante - não apresentam nenhum método pedagógico, mas revelam os processos de aprendizado das crianças, levando a conclusões que puseram em questão os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita. "A história da alfabetização pode ser dividida em antes e depois de Emilia Ferreiro", diz a educadora Telma Weisz, que foi aluna da psicolinguista.

Emilia Ferreiro se tornou uma espécie de referência para o ensino brasileiro e seu nome passou a ser ligado ao construtivismo, campo de estudo inaugurado pelas descobertas a que chegou o biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) na investigação dos processos de aquisição e elaboração de conhecimento pela criança - ou seja, de que modo ela aprende. As pesquisas de Emilia Ferreiro, que estudou e trabalhou com Piaget, concentram o foco nos mecanismos cognitivos relacionados à leitura e à escrita. De maneira equivocada, muitos consideram o construtivismo um método.

Tanto as descobertas de Piaget como as de Emilia levam à conclusão de que as crianças têm um papel ativo no aprendizado. Elas constroem o próprio conhecimento - daí a palavra construtivismo. A principal implicação dessa conclusão para a prática escolar é transferir o foco da escola - e da alfabetização em particular - do conteúdo ensinado para o sujeito que aprende, ou seja, o aluno. "Até então, os educadores só se preocupavam com a aprendizagem quando a criança parecia não aprender", diz Telma Weisz. "Emilia Ferreiro inverteu essa ótica com resultados surpreendentes."

O princípio de que o processo de conhecimento por parte da criança deve ser gradual corresponde aos mecanismos deduzidos por Piaget, segundo os quais cada salto cognitivo depende de uma assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo. É por utilizar esses esquemas internos, e não simplesmente repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino recebido. No caso da alfabetização isso implica uma transformação da escrita convencional dos adultos (leia mais sobre as hipóteses elaboradas pelas crianças na tentativa de explicar o funcionamento da escrita). Para o construtivismo, nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele "releu" o conteúdo aprendido. O que as crianças aprendem não coincide com aquilo que lhes foi ensinado.

Compreensão do conteúdo

Com base nesses pressupostos, Emilia Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque julga a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliações de percepção (capacidade de discriminar sons e sinais, por exemplo) e de motricidade (coordenação, orientação espacial etc.). Dessa forma, dá-se peso excessivo para um aspecto exterior da escrita (saber desenhar as letras) e deixa-se de lado suas características conceituais, ou seja, a compreensão da natureza da escrita e sua organização. Para os construtivistas, o aprendizado da alfabetização não ocorre desligado do conteúdo da escrita.

É por não levar em conta o ponto mais importante da alfabetização que os métodos tradicionais insistem em introduzir os alunos à leitura com palavras aparentemente simples e sonoras (como babá, bebê, papa), mas que, do ponto de vista da assimilação das crianças, simplesmente não se ligam a nada. Segundo o mesmo raciocínio equivocado, o contato da criança com a organização da escrita é adiado para quando ela já for capaz de ler as palavras isoladas, embora as relações que ela estabelece com os textos inteiros sejam enriquecedoras desde o início.

Segundo Emilia Ferreiro, a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita. De acordo com suas conclusões, desempenhos díspares apresentados por crianças de classes sociais diferentes na alfabetização não revelam capacidades desiguais, mas o acesso maior ou menor a textos lidos e escritos desde os primeiros anos de vida.

Sala de aula vira ambiente alfabetizador 

Uma das principais consequências da absorção da obra de Emilia Ferreiro na alfabetização é a recusa ao uso das cartilhas, uma espécie de bandeira que a psicolinguista argentina ergue. Segundo ela, a compreensão da função social da escrita deve ser estimulada com o uso de textos de atualidade, livros, histórias, jornais, revistas. Para a psicolinguista, as cartilhas, ao contrário, oferecem um universo artificial e desinteressante. Em compensação, numa proposta construtivista de ensino, a sala de aula se transforma totalmente, criando-se o que se chama de ambiente alfabetizador.
Idéias que o Brasil adotou
Ambiente alfabetizador em escola gaúcha nos anos 1980: Emilia Ferreiro inspira políticas oficiais. Foto: Paulo Franken
Ambiente alfabetizador em escola  gaúcha nos anos 1980: Emilia Ferreiro  inspira políticas oficiais.
As pesquisas de Emilia Ferreiro e o termo construtivismo começaram a ser divulgados no Brasil no início da década de 1980. As informações chegaram primeiro ao ambiente de congressos e simpósios de educadores. O livro-chave de Emilia, Psicogênese da Língua Escrita, saiu em edição brasileira em 1984. As descobertas que ele apresenta tornaram-se assunto obrigatório nos meios pedagógicos e se espalharam pelo Brasil com rapidez, a ponto de a própria autora manifestar sua preocupação quanto à forma como o construtivismo estava sendo encarado e transposto para a sala de aula. Mas o construtivismo mostrou sua influência duradoura ao ser adotado pelas políticas oficiais de vários estados brasileiros. Uma das experiências mais abrangentes se deu no Rio Grande do Sul, onde a Secretaria Estadual de Educação criou um Laboratório de Alfabetização inspirado nas descobertas de Emilia Ferreiro. Hoje o construtivismo é a fonte da qual derivam várias das diretrizes oficiais do Ministério da Educação. Segundo afirma a educadora Telma Weisz na apresentação de uma das reedições de Psicogênese da Língua Escrita, "a mudança da compreensão do processo pelo qual se aprende a ler e a escrever afetou todo o ensino da língua", produzindo "experimentação pedagógica suficiente para construir, a partir dela, uma didática".

 Biografia

Emilia Ferreiro nasceu na Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, cujo trabalho de epistemologia genética (uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança) ela continuou, estudando um campo que o mestre não havia explorado: a escrita. A partir de 1974, Emilia desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de experimentos com crianças que deu origem às conclusões apresentadas em Psicogênese da Língua Escrita, assinado em parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky e publicado em 1979. Emilia é hoje professora titular do Centro de Investigação e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional, da Cidade do México, onde mora. Além da atividade de professora - que exerce também viajando pelo mundo, incluindo frequentes visitas ao Brasil -, a psicolinguista está à frente do site www.chicosyescritores.org, em que estudantes escrevem em parceria com autores consagrados e publicam os próprios textos.

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