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“Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... A vida é "muito" para ser insignificante". (Charles Chaplin)


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“.... e aprendi que se depende sempre de tanta, muita, diferente gente. Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar ....”

(Gonzaguinha)

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segunda-feira, 11 de março de 2013

Mercadante pede apoio da Câmara para vinculação dos royalties para a educação



Brasília - O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu hoje (28), após visita ao presidente da Câmara, deputado Henrque Eduardo Alves (PMDB-RN), a aprovação da Medida Provisória (MP) 592 que destina os recursos dos royalties do petróleo para a educação. Mercadante também pediu a Alves prioridade para votações de medidas provisórias e de projetos de interesse da sua pasta como o de formação de professores, que está pronto para ser votado.

A MP ainda está sendo discutida pela comissão mista do Congresso Nacional e tem como relator o deputado Carlos Zarattini (PT-SP). Zarattini foi o relator de projeto de lei, originário do Senado, sobre a distribuição dos royalties. Na véspera da votação, a pedido do governo ele incluiu no seu substitutivo a destinação de parte dos recursos dos royalties para a educação, mas seu projeto foi rejeitado e aprovado o texto do Senado. Como parte do projeto recebeu vetos, o governo editou a MP destinando os recursos para a educação.
“Vim solicitar um olhar especial para alguns projetos do Ministério da Educação que são muito importantes. Primeiro, qualquer que seja a decisão com relação ao veto dos royalties, que haja disposição de discutir com profundidade a vinculação dos recursos dos royalties na educação. Isso vai mudar a historia da educação no Brasil”, disse Mercadante.
“Seguramente é o maior legado que a gente pode deixar para as futuras gerações. Nenhum país se desenvolveu sem educação em tempo integral, sem valorizar os professores, sem ter uma educação integral de qualidade. Nos países desenvolvidos isso é pré-condição”, completou o ministro.
Segundo Mercadante, a proposta original do governo é que 100 % dos royalties das futuras concessões e 50 % dos rendimentos do Fundo Social do pré-sal sejam integralmente destinados à educação nos municípios, estados e União. “Isso é um volume expressivo de recursos e que ainda vai crescer muito este ano. A gente não pode repetir os erros que as grandes potências exportadoras de petróleo cometeram”.
O ministro também defendeu a aprovação das medidas provisórias que tratam do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). As MPs aumentam a lista de beneficiários do programa e autoriza instituições privadas habilitadas a oferecer cursos ao Pronatec. “Estamos expandindo as matriculas e permitindo que estudantes formados possam fazer o Pronatec e, também, que o programa possa trabalhar com instituições privadas para aumentar a oferta”, declarou.
Para o presidente da Câmara, deputado Henrique Alves, as solicitações do ministro são importantes. “Defendo que esta Casa faça o que tem de fazer, que é ser protagonista das grandes ações e decisões em favor do Brasil e da educação no país”.

Agência Brasil

Professores que não receberam piso de 2009 a 2011 podem recorrer à Justiça


Professores do ensino básico da rede pública, com jornada de 40 horas semanais, e que não receberam o piso salarial entre janeiro de 2009 e abril de 2011 podem recorrer à Justiça e pedir os valores retroativos. No período, estava valendo liminar que determinava que o piso poderia ser cumprido em diferentes formas de remuneração, ou seja, o vencimento salarial poderia ser complementado com abonos e gratificações para que o piso fosse alcançado.
Aqueles que, nem mesmo com os adicionais, chegaram ao valor estabelecido em lei podem exigir o retroativo, explicou nesta quinta-feira a assessoria do Supremo Tribunal Federal (STF) ao ser consultada pela Agência Brasil. 
Na quarta-feira, o STF definiu que, embora tenha sido editada em 2008, a lei do piso, que trata do salário nacional do magistério, passa a valer a partir da data na qual o Supremo confirmou sua legalidade, em abril de 2011.
O piso salarial dos professores do magistério público foi estabelecido na Lei 11.738, de 16 de julho 2008. Na ocasião, o valor era R$ 950. Com a sanção da lei, governadores de Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul e do Ceará ajuizaram Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo contra dispositivos da legislação.
Em dezembro de 2008, o STF decidiu, por meio de liminar, que o piso passaria a ser pago a partir do dia 1º de janeiro de 2009. Os ministros estipularam que o piso incorporaria vantagens pecuniárias, em uma espécie de período de experiência para os estados. Isso valeria até o julgamento da Adin, que ocorreu em abril de 2011.
O piso salarial somava R$ 950, em 2009; R$ 1.024,67, em 2010; e R$ 1.187,14, em 2011, conforme valores informados no site do Ministério da Educação. No ano passado, o valor vigente era R$ 1.451 e, a partir de fevereiro deste ano, passou para R$ 1.567.


Agência Brasil

Autoaprendizado, tecnologia e comunidade são união poderosa, diz especialista


Apesar de ainda não estarem disseminadas nos sistemas educacionais, a tecnologia e as plataformas digitais estão tirando o foco do ensino formal e devem quebrar paradigmas educacionais. Assim, modelos híbridos, baseados em autoaprendizado, aprendizado por games e relação com a comunidade são uma mistura poderosa. A análise é de Terry Heick, educador especializado em desenvolvimento social por meio de inovações no ensino e autor em sites especializados, como o Edutopia e oEdudemic, além de ser diretor de currículo do TeachThought. "O e-learning costumava ser considerado um método inferior em relação ao presencial e para muitos ainda é, mas isso está começando a mudar", afirma.

As ferramentas disponíveis são muitas: jogos digitais, simulações, modelos de ensino usando aparelhos móveis, ambientes e plataformas de e-learning, mídias sociais. O desafio para os educadores, na opinião de Terry, é descobrir como os estudantes aprendem melhor e como a tecnologia pode ajudar melhor nesse processo. Por isso, os professores têm papel fundamental nessa engrenagem. Veja a entrevista concedida à agência Porvir por e-mail, em que ele ainda aborda o aprendizado baseado em projetos, educação domiciliar e o novo papel da escola.
Porvir - No seu artigo What To Expect From Education In 2013 (O que esperar da educação em 2013) você diz que a quebra de paradigmas é um tema para este ano e que a tecnologia e as plataformas digitais estão tirando o foco do ensino formal. Esse processo está acontecendo em todos os sistemas de ensino nos Estados Unidos?
​
Terry Heick - Nas escolas norte-americanas há bastante diversidade. Não existe uma fórmula mágica que todos seguem, e boa parte da inovação fica a cargo muito mais de cada professor do que da prefeitura ou do estado. Isso é um desafio porque os professores que estão em sala de aula não podem comprar aparelhos tecnológicos caros com acesso às mídias sociais e a outras ferramentas digitais. Também existe o problema das regras e políticas do governo. Quando as escolas públicas financiadas pelo governo conseguem introduzir essas tecnologias, normalmente elas têm que enfrentar regras rígidas, que podem inibir as habilidades dos professores em usá-las de modo consistente e criativo. A maioria das inovações citadas acima - e-learning, aprendizagem por meio de tecnologias e aparelhos móveis, simulações e similares - ainda são projetos únicos e isolados, ou integrados de forma precária no currículo.
Porvir - Você poderia falar sobre um projeto ou modelo de aprendizagem que o surpreendeu?
Heick - O modelo de aprendizagem que mais tem me interessado ultimamente é um tipo híbrido entre autoaprendizagem e aprendizagem através de jogos e brincadeiras. Com as novas tecnologias e com as comunidades, especialistas e mentores acessíveis, isso se torna especialmente poderoso. Há exemplos de aprendizagem com modelos híbridos em salas de aula de educação infantil e ensino médio e também nas universidades nos Estados Unidos. Isso não significa que todos os modelos de aprendizagem híbridos são iguais, mas mostra uma grande mudança no modo como as escolas estão trabalhando com o e-learning. O e-learning costumava ser considerado um método inferior em relação ao presencial, e para muitos ainda é, mas isso está começando a mudar.
Porvir - Como os estudantes aprendem com jogos e brincadeiras?
Heick - Não só os alunos podem aprender com jogos e brincadeiras, mas eles só aprendem brincando. Os estudantes fazem uma tarefa e têm sua performance avaliada após a entrega, muitas vezes recebendo uma nota por isso. A ideia de aprender brincando é totalmente focada no estudante - ele escolhe o conteúdo, as ferramentas e a linha de aprendizagem a ser seguida. Isso poderia acontecer por razões formais ou poderia ser o resultado de uma aprendizagem informal. Aprender com jogos e brincadeiras estimula o aluno de várias maneiras, incentivando-o a experimentar uma forma livre de ridicularização ou correções. Numa sala de aula tradicional, os alunos aprendem a obedecer e a "ir bem na escola". Por meio das brincadeiras, eles são guiados pela curiosidade, imaginação e pela disposição em relação a algum tema conquistada por uma autopercepção.
Porvir - As escolas que quebram com os modelos tradicionais de ensino e aprendizagem normalmente trabalham com aprendizagem baseada em projetos. O que você pensa sobre essa metodologia? Seria possível ter um modelo de educação totalmente baseado em projetos, mas ainda assim seguindo o currículo?
Heick - O modelo de aprendizagem baseado em projetos tem se tornado cada vez mais popular, mas isso está evoluindo aos poucos. O modelo de cinco anos atrás tem sido substituído por abordagens novas e mais personalizadas. Enquanto, há uma década, o método era considerado uma forma nociva de ensinar, agora ele está se tornando uma alternativa viável às unidades e lições tradicionais. Neles, o processo de aprendizagem é mais importante do que o resultado do projeto em si. Se forem dados os treinamentos necessários, os professores podem usá-los para atingir os objetivos acadêmicos desejados.
Porvir - Como você analisa esse fenômeno do homeschooling (ensino domiciliar), que vem crescendo nos EUA?
Heick - Em termos de dados atuais e mensuráveis, eu posso citar as estatísticas do Departamento de Educação dos EUA, que mostram aumento nesse número [de adeptos ao homeschooling]. Uma grande mudança que eu percebo é sobre a percepção do homeschooling. No passado, ele tinha mais a ver com socialização e religião do que com sabedoria, tecnologia ou até mesmo rigor acadêmico. Acredito piamente que um indivíduo pode ter uma educação melhor em casa [do que a que teria na escola].
Adoraria ver o papel das escolas públicas mudar, de uma única instituição detentora do saber para um papel diferente no ambiente de aprendizagem misto, onde escolas dão apoio a comunidades com recursos, programas de alfabetização, redes de tutores e mesmo com programas e projetos que ajudam os pais e os membros da família a entenderem o real significado de "aprendizagem". Como uma mudança como essa, a capacidade de aprendizagem iria acontecer não só no nível institucional, como nos níveis da comunidade e individual, e uma mudança a longo prazo teria uma chance maior de acontecer.
Porvir - Se você fosse dar um conselho para os professores, qual seria?
Heick - Em meio a tantos recursos e ideias que eu teria para recomendar, fica até difícil saber por onde começar. A melhor resposta que eu poderia dar a essa pergunta seria provavelmente a menos emocionante: eu adoraria ver os professores terem completo domínio sobre como as pessoas aprendem e sobre os inúmeros modelos de aprendizagem disponíveis, principalmente como resultado da inovação tecnológica.

Porvir Porvir

Projetos substituem séries e disciplinas em escolas brasileiras



Depois de alfabetizados, os alunos são divididos em dois salões - de 3º a 6º anos e de 7º a 9º -, onde realizam tarefas propostas por meio de roteiros. Um exemplo: para aprender sobre personalidades da história mundial, devem ler um texto sobre o músico brasileiro Pixinguinha, no livro de português; observar pinturas de Debret na parte de história; responder a questões a respeito de Brasília e Oscar Niemeyer, propostas na apostila de geografia. Em 15 dias, cumprem cerca de 18 objetivos - todos desenvolvidos com base nos livros didáticos indicados pela Secretaria de Educação de São Paulo.
Como resultado, escrevem uma espécie de relatório sobre o que aprenderam, que é entregue e analisado pelo tutor.
É o aluno que decide qual o próximo roteiro a ser executado. "Ele faz a opção dentro de um leque de possibilidades. Isso não significa que outras coisas não devam ser propostas. Essa liberdade não significa fazer o que quer, mas querer o que faz. O fato de haver a opção por determinado assunto torna o aluno mais responsável, porque é uma decisão dele", diz Ana Elisa. Concluídos todos os roteiros previstos para o ano, é possível partir para a proposta da série seguinte. Quem não consegue não é reprovado: a criança inicia um novo ano terminando as atividades que deixou pendentes, para então acompanhar o restante da programação. Além das atividades de salão, há aulas de português, matemática e inglês - ministradas em uma sala com quadro-negro -, além de educação física.
Essa liberdade não significa fazer o que quer, mas querer o que faz. O fato de haver a opção por determinado assunto torna o aluno mais responsável, porque é uma decisão dele
Ana Elisa Siqueira diretora de escola
 
Ainda que estejam em fase de desenvolvimento, a diretora, Ana Elisa, garante que os alunos têm consciência de suas responsabilidades. "As crianças passam a compreender o processo pessoal de aprendizagem. Elas vão aprendendo a lidar com as questões de tempo, espaço, quantidade de trabalho. Não é um processo individual, mas pessoal", diz. O primeiro ano, em fase de alfabetização, tem aula em uma sala convencional, mas já começa a viver experiências próprias do trabalho criado na década de 1970, na Escola da Ponte, em Portugal.
Nos salões, que existem desde 2004, circulam professores de diversas disciplinas, orientados a auxiliar alunos nas suas dificuldades. As crianças e jovens ficam sentados em grupos de quatro, não necessariamente da mesma faixa etária. Uma vez por semana, reúnem-se com um dos tutores, que ficam responsáveis, cada um, por cerca de 20 estudantes. Todos os dias, há um momento reservado para uma roda de conversa, quando alunos e professores relatam experiências, trocam informações e resolvem possíveis dilemas da rotina escolar.
Márcia Carini é mãe de um dos alunos que agora vai para o ambiente conhecido como salão. A jornalista, que conheceu a escola por meio de uma amiga, chegou ao Amorim para ministrar uma oficina de produção jornalística. "O método é muito democrático. As outras escolas costumam excluir quem não consegue acompanhar, mas a ideia é um ajudar o outro. Com isso, os alunos que são bons se sentem estimulados, porque ajudam quem tem dificuldade, enquanto quem tem dificuldade é amparado por um colega. Existe um espírito de cooperação", diz.

O método é muito democrático. Os alunos que são bons se sentem estimulados, porque ajudam quem tem dificuldade, enquanto quem tem dificuldade é amparado por um colega
Márcia Carini mãe de aluno
 
O fato de se tratar de uma escola pública também chamou a atenção de Márcia. Ela acredita que seu filho, antes matriculado em uma escola particular, convivia com um grupo bastante homogêneo. A nova realidade diversificou seu círculo social. "Meu filho não pediu um brinquedo sequer no ano passado. Essa convivência com pessoas diferentes o fez entender que lápis e borracha não dão em árvore. Ele se vê valorizado e valoriza também", destaca.
Um exemplo na esfera privada é o da escola Lumiar, também de São Paulo, que atende crianças e jovens de quatro meses a 14 anos. Lá também não há divisão por séries, e todas as semanas os alunos participam de assembleias para tratar se assuntos relacionados à escola. Assim como no Amorim, todo o aprendizado é embasado pela legislação, mas ele acontece por meio de projetos. "Os padrões são muito mais abertos em comparação a escolas ou livros didáticos tradicionais. Há muita flexibilidade para trabalhar os conteúdos", explica a diretora pedagógica do Instituto Lumiar, Célia Maria Piva Cabral Senna.
Ela acredita que saber buscar a informação é mais importante do que decorá-la. "Hoje em dia é ilusão achar que alguém vai saber todos os conteúdos. Hoje o acesso a informação é fácil, mas isso não significa aprendizado", diz. A diretora pedagógica reconhece que alguns alunos possam ter problemas quando partem para escolas diferentes. "Alguns relatam um pouco de dificuldade em disciplinas de maior memorização, mas isso não causa nenhum grande trauma", afirma.

Família precisa estar alinhada com os valores da escola
Sem uma rotina de testes e provas, a adaptação de um aluno à metodologia de uma escola convencional do ensino médio ou ao vestibular é um questionamento comum entre quem conhece as diretrizes de instituições inspiradas na Escola da Ponte. Para a professora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Orly Zucatto Montovani de Assis, a resposta está na bagagem acumulada durante os anos de aprendizado alternativo. "Esses alunos têm consciência de como se constrói o conhecimento, eles sabem que método pode utilizar porque vêm de um aprendizado em que um erro corrigido vale mais do que um acerto imediato", afirma. Na opinião da especialista, um dos grandes acertos de instituições como a Escola da Ponte e a Amorim Lima está no fato de que a proposta prevê que os próprios alunos corrijam seus trabalhos junto ao professor, reconhecendo seus erros.

Hoje o acesso a informação é fácil, mas isso não significa aprendizado
Célia Maria Piva Cabral Senna diretora pedagógica
 
Ainda assim, existe uma preparação para vestibulinhos de escolas técnicas, por exemplo. No Amorim, pais de alunos ministram oficinas com simulados e dicas para as seleções. O método fora do convencional causa estranheza em algumas famílias. Para a diretora, a reação é natural. "Normalmente, o pai que coloca o filho em uma escola pública pensa que é tudo igual. O Amorim cria um diálogo com a família desde o início. Tivemos vários casos de famílias que não concordaram com o projeto e levaram o filho para outro lugar", diz. Ana Elisa acredita que o projeto familiar é o que define como será a adaptação do aluno ao ambiente. "Há quem prefira colocar seu filho em uma sala com classes enfileiradas, em que muda o professor quando o sinal toca e a lousa está cheia de conteúdo. Se a família busca formar alguém competitivo, que queira ser o melhor, precisa buscar outra proposta", acrescenta.
Idealizador da Escola da Ponte explica projeto
Em uma realidade tão diferente daquela com a qual a maioria dos alunos está acostumada, o papel dos professor é fundamental. Idealizador da Escola da Ponte, que inspirou as instituições brasileiras, o educador José Pacheco explica que a ideia é que os projetos não sejam preparados apenas pelo educador, mas que a construção seja feita em conjunto. "O educador não faz planejamentos de aula; ensina os alunos a planejar e a se planejar. Ele não prepara materiais para os alunos. Os alunos é que criam os materiais com os professores, à medida em que vão produzindo conhecimento e os desejam partilhar", diz Pacheco, que hoje vive no Brasil e coordena um projeto dentro da mesma linha.
Ensinar a pesquisar e mediar os processos de aprendizagem são as outras tarefas de quem trabalha em escolas como a Ponte, o Amorim e a Lumiar. Na escola pública do Butantã, a formação dos professores fica por conta da rotina. Ana Elisa afirma que os educadores não recebem capacitação antes de chegar à instituição, mas que as questões são debatidas diariamente, em horas de estudo. "Existe um enfrentamento por conta de expectativa de polivalência, já que todos têm de lidar com vários conteúdos. Mas eles têm acesso a todo o material e trocam experiências constantemente", explica.
Pacheco reconhece problemas e propõe questionamentos ao trabalho realizado. "Os nichos de inovação e mudança ainda são construídos à custa da dedicação e sacrifício. As escolas continuam expostas à incompreensão, à burocracia. Apesar de já contar quase 40 anos de projeto, a Ponte não é exceção", diz. Confrontar-se com o insucesso de alunos deve ser, em sua opinião, outro estímulo para buscar soluções que vão muito além de colocar a culpa no sistema. Para isso, é preciso construir em comunidade novas formas de construir o conhecimento.


Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

MEC planeja que alunos carreguem livros didáticos em tablets


Em 2013, a estudante Beatriz Aguiar ingressou no 1º ano do ensino médio em uma escola particular de Brasília. Além de todas as mudanças já esperadas para o período, mais uma: o material escolar agora não ocupa mais do que o espaço de um tablet na mochila. Por quatro parcelas de R$ 277 ela comprou as obras que serão usadas e atualizadas durante o período letivo. O Ministério da Educação (MEC), planeja, para os próximos anos, dar acesso a esse material aos alunos da rede pública.

Obras digitais são usadas e atualizadas durante o período letivo
Consta no edital para os livros a serem distribuídas em 2015 pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) a inscrição de obras multimídia, que reúnam livro impresso e digital. Eles deverão ter vídeos, áudios, animações, infográficos, mapas interativos, páginas da web e outros objetos que complementarão as informações contidas nos textos escritos. "Além de termos acesso aos textos, temos outros recursos para ajudar no aprendizado, eu estou gostando muito", diz Beatriz. Hoje é o Dia Nacional do Livro Didático, e a Agência Brasil procurou a opinião de especialistas sobre as tendências nessa área da educação.
Segundo a pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Priscilla Tavares, a digitalização do material didático apresenta pontos favoráveis como a aproximação dos alunos por meio de um material mais atrativo. "Avaliações do ensino reportam que os alunos não frequentam a biblioteca por falta de interesse pela leitura. Por outro lado, além de atrair, essas obras têm alcance restrito: o aluno, em casa, pode não ter computador ou internet". Dados do Ibope Media mostram que no terceiro trimestre de 2012, 94,2 milhões de brasileiros, menos da metade (47,5%) tinham acesso à internet.
Os alunos estão adaptados, têm maior convívio com os meios digitais, mas muitos professores não têm esse conhecimento. O recurso audiovisual é bom quando se sabe usar.
Priscilla Tavares pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas
Priscilla afirma também que os meios digitais podem ajudar no desempenho dos estudantes ou atrapalhar. Um estudo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) de 2007 concluiu que as escolas com acesso à internet têm maior eficiência, que se reflete no desempenho dos estudantes. O mesmo estudo mostrou que os laboratórios podem ser mal utilizados, levando ao pior desempenho por "alocar equivocadamente' o tempo dos estudantes. "Os alunos estão adaptados, têm maior convívio com os meios digitais, mas muitos professores não têm esse conhecimento. O recurso audiovisual é bom quando se sabe usar", diz a pesquisadora.
Para melhorar o acesso, o Ministério da Educação (MEC) já distribuiu 382.317 tablets. A meta é chegar a 600 mil até o final deste ano. Na primeira etapa, os equipamentos serão destinados a professores de escolas de ensino médio. Apenas o Amapá e o Maranhão não aderiram ao programa. Estão previstos conteúdos de domínio público, outros disponibilizados pelo MEC e pela Khan Academy. Por ano, o ministério investe cerca de R$ 1 bilhão pelo PNLD.
Ministério da Educação (MEC) já distribuiu 382.317 tablets. A meta é chegar a 600 mil até o final deste ano
De acordo com o presidente Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros), o setor busca o aperfeiçoamento na área para atender à demanda cada vez maior. Ele explica no entanto, que os preços não devem sofrer muitas alterações: "É possível que fique mais barato com a eliminação da cadeia de custo do papel. No entanto, surge outra cadeia, que envolve hospedar a obra em algum servidor para acessá-la pela internet entre outros. No fim, trocam-se alguns custos por outros".
O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara defende um modelo já adotado nos Estados Unidos, o chamado Recursos Educacionais Abertos (REA), por meio do qual o governo compra os direitos autorais das obras. Isso permitiria que os professores tivessem acesso facilitado não apenas a uma obra por disciplina (como ocorre pelo PNLD), mas a todas as disponibilizadas pelo MEC. "O professor pode usar 20, 30 obras, variando em cada aula como achar melhor". O REA consta no Projeto de Lei 1513/2011, em tramitação na Câmara dos Deputados. A Abrelivros adianta que caso o modelo passe a vigorar, deverá ser cobrado um valor adequado à disponibilização do conteúdo.


Agência Brasil

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

RN poderá receber complementação para pagar Piso Salarial Nacional



Enquanto os governantes comemoram a notícia de que o Rio Grande do Norte pode integrar o grupo dos estados que recebem complementação para pagar o Piso Salarial Nacional, o SINTE-RN lamenta.
A direção do Sindicato considera vergonhoso que um estado produtor de petróleo, de sal e de tantas outras riquezas precise usufruir de artifícios como esses para cumprir suas obrigações.
A coordenadora geral Fátima Cardoso questiona. “Será mesmo que o estado precisa dessa complementação ou será que ainda falta transparência na aplicação dos recursos?”
A sindicalista lembra que alguns gestores dizem que não tem condições de pagar o piso, mas acabam “encontrando” os recursos. Vai ser necessário muita vigilância para que essa complementação seja, de fato, para os profissionais da Educação.

Tabela do piso para 2013 - Campo Redondo


Tabela do piso para 2013 - Campo Redondo




Fundeb e piso do magistério têm novos valores para 2013



Em 31 de dezembro de 2012 o Executivo Federal publicou duas portarias interministeriais, uma informando o novo valor per capita do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb (Portaria 1.496), passando o mesmo à quantia de R$ 2.243,71; outra adequando o valor do Fundeb praticado em 2012 em R$ 1.867,15 (Portaria nº 1.495) – referência esta que serve para o MEC atualizar o piso salarial profissional nacional do magistério à luz do parecer da Advocacia Geral da União, cuja orientação, do ponto de vista da CNTE, colide com o dispositivo de caráter prospectivo do art. 5º da Lei 11.738.
Sobre o valor mínimo do Fundeb para 2013, reajustado em 23,46% (percentual extraído das portarias acima mencionadas), a CNTE, mais uma vez, lamenta o fato de a Secretaria do Tesouro Nacional não agir com prudência em suas estimativas. Em 2012, mesmo ciente dos efeitos da crise mundial, a STN/Fazenda estimou o crescimento do Fundeb em 21,24%, porém no dia 31 de dezembro, através de simples Portaria, o órgão rebaixou a estimativa para 7,97%. E tudo indica que em 2013 o mesmo acontecerá.
Piso do magistério – Para a CNTE, que considera a primeira atualização do Piso em 2009 e que reivindica o compromisso da União em cobrir eventuais rebaixamentos do valor mínimo do Fundeb ao longo dos anos – pois a educação não deve sofrer retração de investimentos e cabe aos órgãos públicos federais zelar pela estimativa do Fundeb e seu cumprimento integral –, o valor do Piso em janeiro de 2013 equivale a R$ 2.391,74. Todavia, em considerando os rebaixamentos das estimativas do Fundeb – tal como ocorreu de forma descabida pela STN em 2009 e 2012, pois o órgão do Ministério da Fazenda dispõe de informações suficientes para evitar erros tão grosseiros – o Piso não deveria ficar abaixo de R$ 1.817,35, valor este que compreende a diferença efetiva entre o per capita do Fundeb de 2008 a 2013.
Valor do piso pelos cálculos do MEC
Ao arrepio da Lei, o MEC tem proposto a estados e municípios o reajuste do piso salarial do magistério sob outra via interpretativa do art. 5º da Lei 11.738, defendida no parecer da Advocacia Geral da União, que considera o crescimento do valor mínimo do Fundeb de dois anos anteriores à vigência atual.
Assim sendo, para efeito de atualização do Piso pelo critério da AGU/MEC, o valor do Piso em 2013 é de R$ 1.566,64, com base na Portaria nº 1.495, a qual rebaixou as estimativas de crescimento do Fundeb de 2012 para 7,97%.
A CNTE lembra a todos os sindicatos da educação básica pública que a atualização do Piso continua valendo a partir de 1º de janeiro de cada ano, independentemente de pronunciamento do índice de reajuste pelo Ministério da Educação, haja vista que a Lei 11.738 é autoaplicável. Ademais, nada obsta que os sindicatos contestem judicialmente o valor praticado com base no parecer da AGU/MEC (R$ 1.566,64), em face do valor defendido pela CNTE ou mesmo daquele verificado pela diferença percentual efetiva entre os valores per capita praticados entre 2008 e 2013.
Proposta defendida pela CNTE é a melhor para 2013
Na condição de Entidade representativa dos trabalhadores da educação básica pública no país, a luta da CNTE sempre pautou a valorização da carreira profissional de professores, especialistas e funcionário da educação, através de um piso salarial nacional decente e que reflita dignidade e respeito profissional, além de possibilitar a manutenção dos educadores nas redes de ensino (em uma só escola) e a atração de novos profissionais para as escolas públicas.
Atualmente, a principal referência para a valorização do Piso consiste na consolidação da meta 17 do projeto de Plano Nacional de Educação, em trâmite no Senado Federal, que prevê equiparar a remuneração média do magistério à de outras categorias profissionais com mesmo nível de escolaridade – vinculando definitivamente o piso à carreira profissional.
Neste sentido, importa destacar que a proposta de alteração do critério de atualização do Piso, construída coletivamente entre CNTE, Undime e Campanha Nacional pelo Direito à Educação – e a qual foi absorvida pelo relatório da Comissão Parlamentar da Câmara dos Deputados encarregada em discutir alternativas ao PL 3.776/08, que por sua vez prevê fixar o reajuste do piso unicamente ao INPC/IBGE – é a melhor pelas seguintes questões:
1. Garante o crescimento do Piso acima do percentual considerado pelo MEC de 7,97%. Pela proposta da CNTE, em 2013, o piso seria reajustado em 9,05%. Isso porque a receita consolidada do Fundeb deverá crescer 6,1% (e metade desse percentual ficaria reservado para o ganho real do Piso) e a inflação medida pelo INPC deverá ficar em 6% em 2012 (reposição esta garantida integralmente na proposta da CNTE).
2. Vincula o percentual de atualização do Piso ao crescimento da receita consolidada do Fundeb de dois anos anteriores, superando assim as vulneráveis estimativas da STN/Fazenda.

Fonte: Sinte/RN

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Pacto pela Alfabetização na Idade Certa será lançado na quinta


De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, o pacto foi construído em conjunto com todos os secretários estaduais do setor e terá a adesão de cerca de 5,3 mil municípios.
As redes municipais e estaduais têm que aderir ao programa para receber recursos e o apoio técnico do Ministério da Educação.
"Temos várias universidades trabalhando nesse projeto, material didático, a formação dos professores alfabetizadores. No Sul do País, as crianças nessa idade (8 anos) que não são alfabetizadas são 5%. No Nordeste, 28 % das crianças não aprendem a ler e escrever na idade certa", disse Mercadante, após participar de cerimônia no Palácio do Planalto.
A intenção da iniciativa, segundo o ministro da Educação, é tornar a alfabetização na idade certa "a prioridade das prioridades". Conforme Mercadante, "só dominando a leitura, a redação, a interpretação e a matemática é que as crianças poderão se desenvolver no ambiente escolar".
A portaria que estabelece as regras do pacto foi publicada no Diário Oficial da União do dia 5 de julho. Entre as ações previstas está a criação de uma prova que será aplicada a todos os alunos do 3º ano do ensino fundamental para medir o nível de alfabetização. A iniciativa vem suprir a falta de um exame oficial que indique se crianças estão sendo alfabetizadas ou não na idade correta.

Ministro: royalties para educação podem evitar aumento de impostos



O repasse integral dos royalties do petróleo para a educação pode servir como uma fonte de receita "concreta" para o País atingir a meta de aplicar, até 2020, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação, sem a criação de impostos, disse o ministro Aloizio Mercadante nesta terça-feira. De acordo com ele, apenas com a destinação de 100% dos royalties será possível cumprir o que determina o Plano Nacional da Educação (PNE), aprovado pela Câmara e em tramitação no Senado, sem que haja aumento da carga tributária.

"Se hoje temos 5,1% do PIB em educação, em dez anos, o que representa passar para 10% do PIB? Representaria, em valores de hoje, R$ 215 bilhões a mais para educação. Como vamos chegar a esse número? O Congresso vai criar novos impostos?", questionou o ministro, após reunião com líderes da base aliada na Câmara.
"Se não vamos criar novos impostos, como vamos tirar de outras pastas para chegar a 10% do PIB para educação? Não há como tirar nessa escala. Portanto, a única fonte nova de receita concreta, que pode impulsionar verdadeiramente o Plano Nacional de Educação, são os royalties do petróleo. Essa coerência é muito importante", frisou Mercadante.
Está previsto para hoje à tarde o início do debate sobre o projeto de lei do Senado que trata da redistribuição dos royalties do petróleo. Não há consenso sobre a matéria. Parlamentares das bancados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, principais produtores de petróleo do País, defendem que a nova regra de divisão dos royalties atinja os poços a serem licitados. As demais bancadas querem que a divisão leve em consideração os ganhos dos poços que já foram licitados.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A importância dos pais na educação dos filhos



Ser pai é, sem dúvida, o desejo de todo homem. Ao saber que esse desejo irá se realizar, ele começa a reviver sua infância, suas fantasias, descobertas e o relacionamento dele com o seu pai; a partir dessa retrospectiva, começa a imaginar que tratamento e que educação dará ao seu filho.
Já é sabido que as duas figuras genitoras, tanto pai quanto mãe, são essenciais na vida da criança, pois contribuem para uma maior adaptação e flexibilidade mental dos pequenos. Entretanto, o que se vê na sociedade atual é a valorização centrada muito mais na figura materna, deixando de lado o papel que a educação paterna também desenvolve na complementação da educação filial.

            A presença de uma figura paterna na tenra fase infantil do indivíduo é fundamental para a sua estruturação psíquica, pois promove uma identificação alternativa, ou seja, a criança não terá somente a referência materna como norte para sua vida. A relação não saudável ou a ausência do pai podem ser extremamente prejudiciais à criança, provocando desde dificuldades de adaptação às regras sociais e nas relações interpessoais, a conflitos de identidade sexual; esta última pode gerar traumas muito fortes no sujeito, sendo muitas vezes irreversíveis.
            A participação dos pais nas atividades dos filhos é muito válida, pois contribuem para o desenvolvimento da afetividade entre estes, e promove uma cultura de aceitação. Corroborando com o texto, a psicóloga Melina Blanco Amarins, enfoca na literatura médica que a participação efetiva do pai na vida de um filho de forma saudável é capaz de promover segurança, autoestima, independência e estabilidade emocional.
            Em dias em que os pais parecem mais apressados, cansados e estressados é muito importante que dediquem momentos aos seus filhos, seja para brincar, conversar, trocar carinhos ou simplesmente olhá-los nos olhos. Uma relação saudável entre pai e filho nunca será esquecida e a criança, na sua trajetória como adulto, a reproduzirá com seus filhos.
            A tarefa de educar, transmitindo valores éticos e humanos, não é fácil. O exemplo de vida é a maior forma de ensinar aos seus filhos. Um pai relapso na educação infantil é um péssimo exemplo para os pequenos. O tempo, por menor que seja com os filhos, é muito saudável e salutar na tarefa de educar.
            Em 12 de agosto comemorar-se-á o Dia dos Pais. Nesta data, convido todos os pais a refletirem sobre seu papel, sua posição familiar. Será que você está sendo um pai presente nas atividades do seu filho? Você senta no chão, conversa, brinca, abraça seu filho? Reflitamos.
            Aos pais, presentes e ausentes, deixo um poema do célebre Vinícius de Morais, onde ele homenageia seu pai:

Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos manchados de terra 
Dá-me o teu antigo paletó 
sujo de ventos e de chuvas 
Dá-me o imemorial chapéu com que cobrias a tua paciência 
E os misteriosos papéis em que teus versos inscreveste. 
Meu pai, dá-me a tua pequena chave 
das grandes portas 
Dá-me a tua lamparina de rolha, 
estranha bailarina das insônias 
Meu pai, dá-me os teus velhos sapatos.

Ivanilson Costa é pedagogo e mestrando em Ciências da Educação, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora com o Jornal Diário de Natal às sextas-feiras.

Diário de Natal

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Maioria das universidades rejeita proposta de reajuste do govern



A maioria das assembleias de docentes das universidades, institutos e centros tecnológicos federais rejeitou a segunda proposta de reajuste e reestruturação de carreiras, apresentada pelo governo na última terça-feira, 24. De acordo com o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), até as 11h30 desta terça-feira, 31, 48 de 57 instituições de ensino superior haviam votado pela continuidade do movimento.


Na quarta-feira, 1, os professores se reúnem às 21h com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, a fim de dar uma resposta oficial à proposta da União. O governo federal ofereceu reajuste de 25% a 40% a ser aplicado em três anos ao salário dos docentes, em lugar dos aumentos a partir de 12% inicialmente sugeridos. No entanto, a posição do Andes é que reivindicações importantes acerca de progressão de carreira, gratificações e avaliação de desempenho não foram contempladas.
"Ele (Ministério do Planejamento) está aguardando nossa avaliação. Até o momento, a maioria das instituições está rejeitando a proposta. Vamos sistematizar esses resultados e redigir uma posição oficial até o fim do dia de hoje", explicou Marinalva Oliveira, presidenta do Andes.
Os professores são apenas um dos 29 setores do funcionalismo público paralisado. Na manhã desta terça-feira, a Confederação dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Condsef) e outras entidades representativas participaram de um protesto na Esplanada dos Ministérios. De acordo com Sérgio Ronaldo da Silva, diretor do Condsef, protestos semelhantes ocorrem em outras unidades da Federação.
Na segunda-feira, 30, os trabalhadores anunciaram a intenção de endurecer a greve, pelo fato de o governo federal ter suspendido as negociações, que serão retomadas somente a partir do dia 13 de agosto. O dia 31 de julho havia sido fixado como prazo final para o Ministério do Planejamento apresentar uma proposta às categorias paralisadas.

Estadão

terça-feira, 26 de junho de 2012

‘Bibliotecas digitais são tesouros escondidos’, diz biblioteconomista da UniRio


Digitalizadas, as bibliotecas no Brasil e no mundo estão deixando os muros físicos para também se hospedarem na internet. Mas isso não significa que elas estão ficando mais acessíveis. Apesar dos milhares de acervos disponíveis on-line, as bibliotecas digitais ainda são consideradas “tesouros escondidos”.
Segundo Moreno Barros, professor de biblioteconomia da UniRio e mestre em ciência da informação, embora o Brasil esteja investindo alto em projetos de digitalizações, esses acervos ainda não estão ao alcance de todos. “Existe uma excessiva preocupação com imagens em alta resolução, por exemplo, um formato que só atende grandes pesquisadores, pessoas que de uma forma ou outra já estariam dispostas a frequentar o acervo localmente.
Isso não é algo ruim, mas é fato que o público leigo tem mais facilidade de acesso quando as imagens estão em menor qualidade”.

O processo de digitalização, segundo Barros, implica na necessidade de uma abordagem diferente, com foco em uma escala maior de usuários para “atingir virtualmente uma audiência diferente daquela que já se atinge fisicamente”.

Milhares de pessoas poderiam estar navegando pela Biblioteca Nacional Digital, pelaFrança no Brasil ou pela Brasiliana, algumas das principais bibliotecas digitais do país, que permitem aos usuários acessar de forma virtual e gratuita seus arquivos. “Quase ninguém conhece esses acervos, ou somente uma pequena parcela da comunidade de pesquisa acadêmica”, garante Barros.

Outros bons exemplos de biblioteca digitais seriam a Biblioteca Digital Universidade Gama Filho e a Biblioteca Nacional Digital. A primeira, lançada em 2011 e considerada uma das maiores do Brasil. Seu acervo aberto contém teses e dissertações de quase 1.500 universidades, bibliotecas unificadas de 62 países e artigos de 48 mil revistas científicas disponíveis on-line para qualquer pessoa, gratuitamente. Já a segunda, pertence a Biblioteca Nacional e é tida como uma das precursoras no processo de digitalização de publicações e acesso a obras via internet.

A digitalização de acervos bibliográficos tem sido um método utilizado, principalmente, como forma de preservar os registros históricos, seja de um grande jornal  – como é o caso do Jornal do Brasil, impresso até 2010, e que digitalizou todas as suas publicações; de um periódico local – o centenário jornal Federação, em Itu (SP), que, no ano passado, colocou todo seu acervo na internet –, ou até mesmo a criação de um sitepara abarcar os cerca 80 mil documentos do cientista Albert Einstein.

Os esconderijos das bibliotecas

Ao pesquisar por uma determinada obra no Google, o sistema de busca tem dificuldade de rastrear as publicações dessas bibliotecas virtuais. Escondidos na internet, os sites das instituições que abrigam grande parte desses acervos virtuais ainda têm navegação precária e softwares não muito amigáveis.

Uma das soluções apontadas por Barros para que usuários encontrem não apenas obras nos acervos digitais, como também nas bibliotecas físicas mais próximas de suas casas, é fazer com que os registros bibliográficos utilizem sistemas de busca mais trabalhados, indexando melhor suas informações na internet.  “Se as bibliotecas abrirem seus dados, o Google vai ranquear não apenas os sites de livrarias famosas, mas vai indicar já na primeira página também as bibliotecas físicas mais próximas as casas dos usuários.”

Segundo levantamento realizado pelo 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, divulgado em 2010, no país existem em funcionamento, uma média de 2,67 bibliotecas municipais por cada 100 mil habitantes no país. Todas elas poderiam ser mais facilmente encontradas se melhor ranqueadas nos buscadores.

Para isso, o especialista afirma que será necessário, por exemplo, abolir sistemas que dificultem o rastreamento, como é o caso do javascript, uma espécie de página HTML que não possibilita interação dinâmica com o usuário, e funciona como se fosse uma imagem, muito utilizado nos softwares de biblioteca.

Outra alternativa apontada por Barros, que facilitaria a vida do usuário que busca por um ranking de bibliotecas, é a criação da versão brasileira do WorldCat, uma das principais redes de bibliotecas do mundo, que indica ao usuário onde encontrar livros, CDs, vídeos, resumos de artigos e versões digitais de itens raros nas bibliotecas mais próximas de suas casas.

Para conhecer as principais bibliotecas digitais brasileiras e internacionais, veja a lista indicada por Barros. O especialista, inclusive, tem um projeto para ajudar pessoas a redescobrir e reaprender o significado das bibliotecas na era do Google e do iPad. Para começar, ele propõe um encontro para ensinar as pessoas a economizar dinheirousando essas bibliotecas. A proposta está em busca de financiamento, via crowdfunding, na plataforma no Nós.vc.
Fonte: http://porvir.org/porpensar/bibliotecas-digitais-sao-tesouros-escondidos/2012062deixando os muros físicos para também se hospedarem na internet. Mas isso não significa que elas estão ficando mais acessíveis. Apesar dos milhares de acervos disponíveis on-line, as bibliotecas digitais ainda são consideradas “tesouros escondidos”.
Segundo Moreno Barros, professor de biblioteconomia da UniRio e mestre em ciência da informação, embora o Brasil esteja investindo alto em projetos de digitalizações, esses acervos ainda não estão ao alcance de todos. “Existe uma excessiva preocupação com imagens em alta resolução, por exemplo, um formato que só atende grandes pesquisadores, pessoas que de uma forma ou outra já estariam dispostas a frequentar o acervo localmente.
Isso não é algo ruim, mas é fato que o público leigo tem mais facilidade de acesso quando as imagens estão em menor qualidade”.

O processo de digitalização, segundo Barros, implica na necessidade de uma abordagem diferente, com foco em uma escala maior de usuários para “atingir virtualmente uma audiência diferente daquela que já se atinge fisicamente”.

Milhares de pessoas poderiam estar navegando pela Biblioteca Nacional Digital, pelaFrança no Brasil ou pela Brasiliana, algumas das principais bibliotecas digitais do país, que permitem aos usuários acessar de forma virtual e gratuita seus arquivos. “Quase ninguém conhece esses acervos, ou somente uma pequena parcela da comunidade de pesquisa acadêmica”, garante Barros.

Outros bons exemplos de biblioteca digitais seriam a Biblioteca Digital Universidade Gama Filho e a Biblioteca Nacional Digital. A primeira, lançada em 2011 e considerada uma das maiores do Brasil. Seu acervo aberto contém teses e dissertações de quase 1.500 universidades, bibliotecas unificadas de 62 países e artigos de 48 mil revistas científicas disponíveis on-line para qualquer pessoa, gratuitamente. Já a segunda, pertence a Biblioteca Nacional e é tida como uma das precursoras no processo de digitalização de publicações e acesso a obras via internet.

A digitalização de acervos bibliográficos tem sido um método utilizado, principalmente, como forma de preservar os registros históricos, seja de um grande jornal  – como é o caso do Jornal do Brasil, impresso até 2010, e que digitalizou todas as suas publicações; de um periódico local – o centenário jornal Federação, em Itu (SP), que, no ano passado, colocou todo seu acervo na internet –, ou até mesmo a criação de um sitepara abarcar os cerca 80 mil documentos do cientista Albert Einstein.

Os esconderijos das bibliotecas

Ao pesquisar por uma determinada obra no Google, o sistema de busca tem dificuldade de rastrear as publicações dessas bibliotecas virtuais. Escondidos na internet, os sites das instituições que abrigam grande parte desses acervos virtuais ainda têm navegação precária e softwares não muito amigáveis.

Uma das soluções apontadas por Barros para que usuários encontrem não apenas obras nos acervos digitais, como também nas bibliotecas físicas mais próximas de suas casas, é fazer com que os registros bibliográficos utilizem sistemas de busca mais trabalhados, indexando melhor suas informações na internet.  “Se as bibliotecas abrirem seus dados, o Google vai ranquear não apenas os sites de livrarias famosas, mas vai indicar já na primeira página também as bibliotecas físicas mais próximas as casas dos usuários.”

Segundo levantamento realizado pelo 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, divulgado em 2010, no país existem em funcionamento, uma média de 2,67 bibliotecas municipais por cada 100 mil habitantes no país. Todas elas poderiam ser mais facilmente encontradas se melhor ranqueadas nos buscadores.

Para isso, o especialista afirma que será necessário, por exemplo, abolir sistemas que dificultem o rastreamento, como é o caso do javascript, uma espécie de página HTML que não possibilita interação dinâmica com o usuário, e funciona como se fosse uma imagem, muito utilizado nos softwares de biblioteca.

Outra alternativa apontada por Barros, que facilitaria a vida do usuário que busca por um ranking de bibliotecas, é a criação da versão brasileira do WorldCat, uma das principais redes de bibliotecas do mundo, que indica ao usuário onde encontrar livros, CDs, vídeos, resumos de artigos e versões digitais de itens raros nas bibliotecas mais próximas de suas casas.

Para conhecer as principais bibliotecas digitais brasileiras e internacionais, veja a lista indicada por Barros. O especialista, inclusive, tem um projeto para ajudar pessoas a redescobrir e reaprender o significado das bibliotecas na era do Google e do iPad. Para começar, ele propõe um encontro para ensinar as pessoas a economizar dinheirousando essas bibliotecas. A proposta está em busca de financiamento, via crowdfunding, na plataforma no Nós.vc.

Deputada defende transferência direta de recursos



Sidewalk ChalkDurante audiência pública da Comissão de Educação e Cultura sobre o Plano de Ações Articuladas – PAR, do Ministério da Educação – MEC, realizada hoje, em Brasília, a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO) defendeu a transferência direta de recursos da União para Estados e municípios.
Segundo a parlamentar, a proposta acaba com a necessidade de acordos e convênios, otimizando e assegurando agilidade à execução das políticas públicas de Educação.
“Entre o diagnóstico e a efetiva chegada do recurso, perde-se muito tempo. Na Educação, determinadas ações que não são realizadas no início do ano letivo não precisam mais ser realizadas. Uma capacitação, por exemplo, que precisa ser feita antes de um determinado projeto simplesmente perde o sentido se não for executada a tempo”, disse.
A medida prevê o diagnóstico das principais demandas de Estados e municípios nas áreas de gestão educacional, formação de profissionais de Educação, práticas pedagógicas e avaliação, infraestrutura e recursos pedagógicos.  “Na prática, o PARacaba com a política do balcão, que depende da influência político-partidária. Nesse cenário, os deputados que têm mais acesso às autoridades do Executivo, que têm mais facilidade do ponto de vista de negociação acabam levando mais recursos para seus municípios e Estados”, afirmou Rezende.
No entanto, para que o processo alcance resultados positivos, Estados e municípios deverão perseguir metas e prestar contas a respeito dos recursos recebidos. Para a representante do Conselho Nacional de Secretários de Educação – Consed, Rosa de Almeida, o PAR possibilita um maior equilíbrio para o cenário educacional brasileiro. A presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – Undime, do Piauí, Antônia Araújo, lembra que o programa também contribui na medida em que exige planejamento, recurso ainda muito pouco usado na área da Educação. “O PAR vem combatendo a falta de cultura de planejamento na Educação. Esse diagnóstico até existia antes do programa, mas não de maneira tão qualificada”, concluiu.


Com informações da Agência Câmara de Notícias

Alunos de escolas fluminenses transformam sucata em brinquedo



Com material coletado no lixo e reciclado, a criação de brinquedos ou objetos úteis torna-se elemento de motivação dos alunos em sala de aula (foto: arquivo da professora Cristiane Rocha)O reaproveitamento de materiais sempre foi tema de interesse para a professora Cristiane Rocha. “Trabalhando em escola pública, procuro a melhor maneira de reaproveitar os materiais disponíveis”, diz a professora, que neste semestre conclui o curso de licenciatura em pedagogia. Há dez anos no magistério, ela leciona na Escola Municipal Deputado Pedro Fernandes, no Rio de Janeiro, capital, e na Escola Municipal de Educação Infantil Ambaí, no município fluminense de Nova Iguaçu.

Na sala de aula, o assunto surge durante conversa informal com os alunos. Como trabalha com educação infantil, Cristiane usa a construção de brinquedos como elemento de motivação. Por meio de fotos e figuras, ela mostra às crianças o que é possível fazer com o lixo. “Peço aos alunos que tragam tudo o que eles acham que pode ser reutilizado e monto oficinas na sala de aula”, explica. “A cada dia, confeccionamos um brinquedo diferente.”

A professora adota a mesma estratégia para a confecção de presentes para datas comemorativas, como os dias das mães e dos pais. O trabalho com reciclagem na escola sempre começa com a própria turma de Cristiane, mas aos poucos vai envolvendo os colegas. A atividade tem início com um bilhete aos pais para informar o objetivo do trabalho e pedir a doação do material de sucata necessário para a montagem de brinquedos e outros objetos. O que sobra é doado a catadores de material reciclado.

Durante as atividades, os alunos dão sugestões. “No início, tanto as crianças quantos os pais ficam desconfiados com o pedido, mas acabam surpresos com o produto final”, garante Cristiane. “Muitos elogiam e até perguntam como foi feito.”
Fátima Schenini
Confira o blog da professora

Saiba mais no Jornal do Professor

Hábito de ler está além dos livros, diz um dos maiores especialistas em leitura do mundo



Um dos maiores especialistas em leitura do mundo, o francês Roger Chartier destaca que o hábito de ler está muito além dos livros impressos e defende que os governos têm papel importante na promoção de uma sociedade mais leitora.
O historiador esteve no Brasil para participar do 2º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários, realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Em entrevista à Agência Brasil, o professor e historiador avaliou que os meios digitais ampliam as possibilidades de leitura, mas ressaltou que parte da sociedade ainda está excluída dessa realidade.
“O analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital”, disse.
Agência Brasil: Uma pesquisa divulgada recentemente indicou que o brasileiro lê em média quatro livros por ano (a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada pelo Instituto Pró-Livro em abril). Podemos considerar essa quantidade grande ou pequena em relação a outros países?
Roger Chartier: Em primeiro lugar, me parece que o ato de ler não se trata necessariamente de ler livros. Essas pesquisas que peguntam às pessoas se elas leem livros estão sempre ignorando que a leitura é muito mais do que ler livros. Basta ver em todos os comportamentos da sociedade que a leitura é uma prática fundamental e disseminada. Isso inclui a leitura dos livros, mas muita gente diz que não lê livros e de fato está lendo objetos impressos que poderiam ser considerados [jornais, revistas, revistas em quadrinhos, entre outras publicações]. Não devemos ser pessimistas, o que se deve pensar é que a prática da leitura é mais frequente, importante e necessária do que poderia indicar uma pesquisa sobre o número de livros lidos.
ABr: Hoje a leitura está em diferentes plataformas?
Chartier: Absolutamente, quando há a entrada no mundo digital abre-se uma possibilidade de leitura mais importante que antes. Não posso comparar imediatamente, mas nos últimos anos houve um recuo do número de livros lidos, mas não necessariamente porque as pessoas estão lendo pouco. É mais uma transformação das práticas culturais. É gente que tinha o costume de comprar e ler muitos livros e agora talvez gaste o mesmo dinheiro com outras formas de diversão.
ABr: A mesma pesquisa que trouxe a média de livro lidos pelos brasileiros aponta que a população prefere outras atividade à leitura, como ver televisão ou acessar a internet.
Chartier: Isso não seria próprio do brasileiro. Penso que em qualquer sociedade do mundo [a pesquisa] teria o mesmo resultado. Talvez com porcentagens diferentes. Uma pesquisa francesa do Ministério da Cultura mostrou que houve uma redistribuição dos gastos culturais para o teatro, o turismo, a viagem e o próprio meio digital.
ABr: Na sua avaliação, essa evolução tecnológica da leitura do impresso para os meios digitais tem o papel de ampliar ou reduzir o número de leitores?
Chartier: Representa uma possibilidade de leitura mais forte do que antes. Quantas vezes nós somos obrigados a preencher formulários para comprar algo, ler e-mails. Tudo isso está num mundo digital que é construído pela leitura e a escrita. Mas também há fronteiras, não se pode pensar que cada um tem um acesso imediato [ao meio digital]. É totalmente um mundo que impõe mais leitura e escrita. Por outro lado, é um mundo onde a leitura tradicional dos textos que são considerados livros, de ver uma obra que tem uma coerência, uma singularidade, aqui [nos meios digitais] se confronta com uma prática de leitura que é mais descontínua. A percepção da obra intelectual ou estética no mundo digital é um processo muito mais complicado porque há fragmentos e trechos de textos aparecendo na tela.
ABr: Na sua opinião, a responsabilidade de promover o hábito da leitura em uma sociedade é da escola?
Chartier: Os sociólogos mostram que, evidentemente, a escola pode corrigir desigualdades que nascem na sociedade mesmo [para o acesso à leitura]. Mas ao mesmo tempo a escola reflete as desigualdades de uma sociedade. Então me parece que, também, é um desafio fundamental que as crianças possam ter incorporados instrumentos de relação com a cultura escrita e que essa desigualdade social deveria ser considerada e corrigida pela escola que normalmente pode dar aos que estão desprovidos os instrumento de conhecimento ou de compreensão da cultura escrita. É uma relação complexa entre a escola e o mundo social. E é claro que a escola não pode fazer tudo.
ABr: Esse é um papel também dos governos?
Chartier: Os governos têm um papel múltiplo. Ele pode ajudar por meio de campanhas de incentivo à leitura, de recursos às famílias mais desprovidas de capital cultural e pode ajudar pela atenção ao sistema escolar. São três maneira de interação que me parecem fundamentais.
ABr: No Brasil ainda temos quase 14 milhões de analfabetos e boa parte da população tem pouco domínio da leitura e escrita – são as pessoas consideradas analfabetas funcionais. Isso não é um entrave ao estímulo da leitura?
Chartier: É preciso diferenciar o analfabetismo radical, que é quando a pessoa está realmente fora da possibilidade de ler e escrever da outra forma que seria uma dificuldade para uma leitura. Há ainda uma outra forma de analfabetismo que seria da historialidade no mundo digital, uma nova fronteira entre os que estão dentro desse mundo e outros que, por razões econômicas e culturais, ficam de fora. O conceito de analfabetismo pode ser o radical, o funcional ou o digital. Cada um precisa de uma forma de aculturação, de pedagogia e didática diferente, mas os três também são tarefas importantes não só para os governos, mas para a sociedade inteira.
ABr: Na sua avaliação, a exclusão dos meios digitais poderia ser considerada uma nova forma de analfabetismo?
Chartier: Me parece que isso é importante e há uma ilusão que vem de quem escreve sobre o mundo digital, porque já está nele e pensa que a sociedade inteira está digitalizada, mas não é o caso. Evidente há muitos obstáculos e fronteiras para entrar nesse mundo. Começando pela própria compra dos instrumentos e terminando com a capacidade de fazer um bom uso dessas novas técnicas. Essa é uma outra tarefa dada à escola de permitir a aprendizagem dessa nova técnica, mas não somente de aprender a ler e escrever, mas como fazer isso na tela do computador.

Agência Brasil