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“Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia. Pois o triunfo pertence a quem se atreve... A vida é "muito" para ser insignificante". (Charles Chaplin)


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“.... e aprendi que se depende sempre de tanta, muita, diferente gente. Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E tão bonito quando a gente sente que nunca está sozinho por mais que pense estar ....”

(Gonzaguinha)

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terça-feira, 3 de julho de 2012

Pesquisas relacionam níveis de escolaridade e expectativa de vida


Pesquisas internacionais têm reforçado a hipótese de que a educação, além de contribuir para a carreira profissional e a formação das pessoas, pode trazer outro benefício a longo prazo. Segundo estudos publicados recentemente, o tempo de escolaridade é um fator importante para uma vida melhor e mais longa.
Uma experiência implementada em escolas da Suécia na década de 50, com duração de 13 anos, proporcionou a pesquisadores da Universidade de Estocolmo o método ideal para verificar a influência de anos a mais de estudo sobre o tempo de vida. Com o objetivo de avaliar o sistema escolar de nove anos antes de aplicá-lo em todo o País, colégios de 900 municípios agregaram um ano extra ao programa escolar de então; as crianças ingressavam no ensino fundamental aos sete anos e cursavam nove séries em vez de oito.
Ao mesmo tempo, alguns alunos seguiam matriculados no sistema convencional e atuavam como grupo de controle para fins comparativos.
Cerca de 1,2 milhão de crianças nascidas entre 1943 e 1955 foram incluídas na pesquisa, e nos 58 anos seguintes ao início da experiência, 92 mil morreram. Dados sobre as causas e a idade da morte foram coletados até 2007 por Anton Lager e Jenny Torssander, que analisaram os efeitos do "9º ano" sobre o risco de mortalidade dos participantes em um estudo, divulgado em maio no portal online da revista americanaProceedings of the National Academy of Sciences. No grupo de pessoas que haviam cursado o ano adicional, os pesquisadores encontraram menor incidência de mortes por câncer, acidentes, isquemia cardíaca e demais causas externas reconhecidamente ligadas à educação.
Mas, embora a hipótese que associa níveis de instrução e expectativa de vida não seja uma novidade, ainda é difícil explicar por que isso acontece. "Em toda associação existem mecanismos. Nosso estudo é bastante adequado para verificar se existe uma relação causal verdadeira - e ele sugere que haja - mas não tanto para identificar qual é o mecanismo exato", explica Lager, do Centro de Estudos para Equidade na Saúde da universidade.
Os benefícios da educação não são proporcionados pelo conhecimento em si, mas pela tradução do que é aprendido em cuidado com a própria saúde e segurança, no caso dos acidentes. Para o pesquisador, níveis de instrução superiores resultam em empregos melhores, com salários mais altos e na redução do risco de vícios como cigarro e álcool. Lager também não acredita que as diferenças socioeconômicas entre países como Suécia e Brasil produziriam resultados muito diversos se uma pesquisa semelhante fosse desenvolvida no País. "As crianças da pesquisa cresceram em condições econômicas e com um PIB como o do Brasil hoje", afirma.
Políticas públicas 
Os efeitos tardios da instrução adquirida nos anos iniciais sobre a expectativa de vida também foram estudados por Cleusa Ferri, professora afiliada da Escola Paulista de Medicina (USP). Cleusa foi coordenadora de um estudo que integra o programa 10/66 DRG, formado por pesquisadores de diversos países dedicados ao estudo de doenças crônicas como a demência e de mortalidade entre a população idosa.
Publicado em fevereiro no jornal de livre-acesso PLoS Medicine, o estudo analisou o efeito de fatores socioeconômicos - desde aqueles determinados em etapas iniciais da vida, como a educação, até outros definidos mais adiante, como profissão e aposentadoria - sobre as taxas de mortalidade em idosos da América Latina, Índia e China.
"No entanto, quando analisamos de forma a levar todos estes fatores em consideração juntos, observamos que a educação afeta os níveis de mortalidade no idoso independentemente destes outros fatores que ocorrem posteriormente", explica a professora. A conclusão de que a variável instrução era a única que se mantinha associada às taxas de mortalidade aponta para a importância de políticas públicas voltadas para a educação também para melhorar - e prolongar - a vida das pessoas. "Este achado sugere que acesso universal à educação pode proporcionar benefícios substanciais à saúde de gerações futuras", afirma Cleusa.
Outro motivo para o investimento na área se deve aos indícios verificados pelo estudo de que, provavelmente, a expectativa de vida estaria muito mais relacionada a fatores externos, como os níveis de desenvolvimento socioeconômico de cada país, do que a características biológicas individuais entre a população.
Brasil
Os números do último censo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam um crescimento tanto da educação quanto da expectativa de vida no País: em 2010, o percentual de pessoas sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto foi de 50,2% - índice que, em 2000, era de 65,1% -, e a esperança de vida ao nascer aumentou cerca de três anos no mesmo período. No entanto, os dados não permitem conclusões precisas, pois não existem cruzamentos ou estudos que explorem especificamente a relação entre educação e índices de mortalidade no Brasil.
Apesar disso, a coleta de dados sobre a situação escolar do País é reconhecidamente relevante: além de medir os níveis de instrução dos brasileiros, as pesquisas sobre educação fornecem dados explicativos para outras áreas. "A educação é um tema muito importante pelo escopo básico que ela dá para o entendimento de variáveis como trabalho e saúde", explica Vanderli Guerra, pesquisadora do IBGE.
Vanderli comenta que, com base nos resultados das pesquisas, o nível de instrução normalmente tem relação direta com o rendimento médio dos indivíduos. Em sua pesquisa, a professora Cleusa também cita um estudo semelhante desenvolvido em Bambuí (MG), no qual níveis de escolaridade mais baixos se apresentaram como um dos aspectos associados a taxas maiores de mortalidade entre idosos.
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

sábado, 5 de maio de 2012

PROFESSOR OU EDUCADOR?


Professor ou educador?

Muitas pessoas não distinguem os termos "professor" e "educador" e acabam por confundi-los ou tratá-los como sinônimos. Na verdade, há uma abissal diferença entre esses dois termos. Enquanto um se refere ao profissional responsável pela instrução eficiente do aluno, o outro, além de ser profissional, é vocacionado e tem como responsabilidade a formação integral do seu aprendiz.
O dicionário Aurélio, de Língua Portuguesa, define professor como "aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, uma técnica, uma disciplina". Já o termo educador, que tem origem do vocábulo latim "educatore", é definido como "aquele que educa".

Não se pretende com este texto desconsiderar, tampouco, diminuir a figura do professor, mas diferenciá-lo dos educadores. Sendo os dois, tanto professores como educadores, fundamentais para o desenvolvimento intelectual da sociedade.

A Educação é um ato que envolve o ser humano holisticamente, ou seja, em todos os seus aspectos, sejam físicos, cognitivos ou morais. Ser educador, nessa perspectiva, implica enxergar o aluno como ser dotado de saberes, qualidades e potencialidades. O educador não está preocupado exclusivamente em repassar o conteúdo de sua disciplina, mas em compreender, entender e tornar a escola ambiente de felicidade. Para que o aluno aprenda satisfatoriamente ele precisa estar feliz.

É importante frisar que todos os educadores são professores, todavia nem todos os professores são educadores. Já ouvi muita gente falar que os professores são responsáveis por ensinar, enquanto os educadores são os atores componentes da escola. Esse pensamento é equivocado, pois educar é um ato que requer tempo, paciência e perseverança. Não se pode confundir os processos de instruir e educar, pois são distintos.

Na visão do educador, ao contrário do que pensam os professores tradicionais, considerando-se donos do saber, ele é um sujeito em constante processo de aprendizagem. O educador é aquele capaz de construir, juntamente com seus alunos, um aprendizado voltado para seus interesses e realidades. Ele não despreza as falas dos educandos, tampouco, faz uso do velho "magister dixit" (o mestre disse - expressão latina utilizada para se enfatizar algo inquestionável), vendo os erros de seus alunos não como obstáculos, mas como base para novos aprendizados e conquistas.

Encontramos muitos professores pelo Brasil a fora, mas, como enfatiza o grande educador Rubem Alves, professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.

Grandes educadores como Paulo Freire, Anísio Teixeira, Freinet, Ferreiro, dentre outros, contribuíram para termos uma educação mais emancipadora, democrática, participativa e consonante com as realidades dos aprendizes. Assim como há tantos outros educadores espalhados por todo o território nacional que desenvolvem sua profissão e vocação por amor, persistência e esperança. Educadores que muitas vezes saem às escuras de suas casas e percorrem 2, 3... 5 quilômetros a pé, e sempre recebem seus alunos com um abraço e um sorriso no rosto. A vocês educadores, semeadores de amor, meus aplausos e sinceros agradecimentos por enfeitarem nossos jardins, quais sejam: as escolas.

Ivanilson Costa é pedagogo e escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora às sextas-feiras.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Pesquisa mostra que criança 'vale pelo local onde ela nasce'

Durante a apresentação do Perfil dos Gastos Educacionais nos Municípios Brasileiros pela União dos dirigentes Municipais de Educação, a presidente da entidade, Cleuza Rodrigues Repulho, afirmou que a educação tem evoluído de forma mais perceptível nos locais que concentram riqueza e arrecadação de impostos. Para ela, as oportunidades não são iguais para todos e que infelizmente a criança acaba "valendo pelo local onde ela nasce".

"Onde a gente consegue concentrar riqueza e arrecadação de impostos tem feito diferença para educação. Em alguns lugares precisa ser maior, organizado e mais transparente", disse. Isso se explica em parte porque nessas cidades os municípios mais ricos conseguem investir além do que é repassado pela União, o que não acontece nos mais pobres.
A pesquisa confirmou a existência de forte desigualdade entre as regiões. O valor médio encontrado em creches no Nordeste representa apenas 36,5% da média nacional. Por outro lado, o valor encontrado no Sudeste é 4,4 vezes maior do que o praticado no Nordeste e 1,6 maior do que a média nacional. Mesmo no ensino fundamental, a diferença entre Sudeste e Nordeste é de quase duas vezes (1,91). Os dados são referentes ao ano de 2009.
Segundo ela, a expectativa é que no próximos anos o País garanta qualidade de ensino para todos. "É importante que os gestores da educação sejam os gestores dos recursos. E que as prefeituras dêem a prioridade para onde precisa", diz.
Segundo ela, a maioria dos municípios dependem do dinheiro federal - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e salário educação - para garantir o funcionamento das escolas. "Mas o Fundeb está longe de atender de maneira suficiente a todos", afirma.
A pesquisa teve a duração de oito meses e teve abrangência de mil municípios, selecionados por sorteio, de agosto de 2010 a fevereiro de 2011, com base nos dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope).
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram o montante gasto em manutenção e desenvolvimento do ensino em municípios, o valor investido por aluno na rede municipal, discriminado em creche, pré-escola, séries iniciais e séries finais do ensino fundamental e educação de jovens e adultos, as diferenças regionais existentes entre os municípios, e compararam o gasto real municipal com os projetados pelo Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQI).
 

“Se um professor pode ser substituído por uma máquina, é porque ele deve ser substituído”

Como o desenvolvimento emocional do sujeito contribui para sua autonomia e obtenção de conhecimento? Em sua palestra de ontem no palco principal da Campus Party, o pesquisador e professor de tecnologia educacional, Sugata Mitra, deu uma aula sobre as competências do saber, a importância do reconhecimento emocional na aprendizagem, e as aplicações possíveis e ainda pouco testadas da informática no ambiente escolar.

Sugata Mitra é docente da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
A primeira descoberta de sua pesquisa surgiu ao observar, ainda em 1999, como crianças, estudantes do ensino público, de uma comunidade pobre de Nova Délhi – Mitra é indiano – se comportavam mediante um computador instalado sugestivamente num buraco de uma parede, com acesso livre.
A partir das demandas geradas pelo acesso à máquina, o pesquisador pôde verificar, entre idas e vindas, como ocorria, ao longo do tempo, a capacidade de autogestão do conhecimento, no qual as crianças não só aprendiam, mas também ensinavam umas às outras.“Quando uma criança aprende, ela ensina a mais nova. E juntas, elas aprendem mais coisas”, diz Mitra.
Após a primeira iniciativa, Mitra começou a sistematizar seus estudos, replicando o experimento em diferentes favelas locais, entre 2001 e 2004. Como apoio teórico, passou a rever os ganhos e os limites da forma clássica de sala de aula, um tributo da antiguidade, em que os alunos pouco interagem entre si, enquanto o professor fala em frente à turma.
Entre 2006 e 2010, Sugata chegou a uma nova síntese de sua pesquisa ao convidar avós com tempo livre para participarem desses momentos com os netos – algo que ele designou como “nuvem de avós”. Enquanto os netos usavam as máquinas para pesquisar sobre algum desafio dado para ser completado, elas permaneciam por trás deles – uma mudança do local do educador no arranjo espacial da sala – motivando-os durante o processo, a cada nova etapa concluída.
A taxa dos indicadores da pesquisa que conferiam quão proveitoso estava sendo o processo para a aprendizagem saltou de 30% para 50%. “Se funciona em Nova Délhi, onde as crianças crescem em meio a muitas precariedades, funciona em qualquer lugar”, constatou. De fato, ele obteve taxas semelhantes ao repetir a prática, agora em ambiente escolar, em países tão distintos como China, Uruguai, Chile, Inglaterra e Estados Unidos.
Especificidades
O pesquisador ressaltou, durante sua fala, quais seriam os componentes propícios a esta vivência. As crianças devem estar em grupos de amigos.“Sempre que aplico a prática, peço às crianças que se organizem por si mesmas, normalmente em grupo de quatro. É preciso garantir que não haverá uma guerra de egos entre elas.”
É importante também que tenham até 12 anos de idade. “A partir dos 12 anos, elas começam a se sacanear.” As avós foram substituídas por uma pessoa jovem que tivesse vínculos efetivos com a comunidade – mas o papel era semelhante: estimular e mediar a busca pelo conhecimento. E os professores?

Mitra afirma que existem os resistentes e os entusiastas. “São duas gerações diferentes. A mentalidade precisa mudar de baixo pra cima. Se você fala para um pai que seu filho vai aprender sozinho, ele pergunta: ‘então, por que vou te pagar?’ Precisamos que as empresas de telecomunicações participem também: que deem a banda larga para os professores e assistam a transformação acontecer.”
Os professores têm percebido que, com o computador em sala de aula, o trabalho não está ameaçado, o que muda é o enfoque. “O conhecimento está em toda parte. O google te dá respostas, não te dá perguntas. A arte do professor é fazer questionamentos, e não ser um conduíte de informações. Esse novo papel precisa ser ensinado aos professores”, ressalta. A primeira pergunta vinda da plateia é se a máquina substituirá o professor. Mitra foi enfático: “Se um professor pode ser substituído por uma máquina, é porque ele deve ser substituído”.
Meninas
Sugata Mitra também ressaltou a importância da participação política da mulher na sociedade, ao defender que as mudanças sociais positivas acontecem sobretudo a partir da educação da população feminina. “Quando você muda uma menina abaixo dos doze anos de idade, você muda uma geração inteira, porque uma garota não vai deixar que seus filhos tenham menos educação do que ela.”

volta às aulas

Para professor brasileiro, 3º pior salário do mundo, volta às aulas = “se vira”

Uma pesquisa realizada pela OIT e Unesco avaliou o quadro educacional em 40 países. A situação do Brasil só não é pior do que a dos professores do Peru e Indonésia. Isso reflete diretamente na qualificação e formação profissional. No nordeste somente 51% dos professores tem curso superior completo seguido do Sul 72%, Sudeste 73% e Centro-Oeste 74%, outra estatística lastimável.
Na Bahia e no Maranhão esse número piora, somente 40% possuem formação acadêmica.

IDH: Dos 187 países avaliados o Brasil ocupa 84˚posição no ranking, ficando bem atrás dos nossos vizinhos latinos, Uruguai, Chile e Argentina. A Russia ocupa o 66˚ lugar, importante dado comparativo já que é um país tão populoso e emergente quanto o nosso.
Tudo isso em pleno século XXI, a era da mudança de paradigma histórico no acesso ao conhecimento e às oportunidades, que coloca a economia criativa no pódium da receita dos países atentos ao valor da Educação!
Enquanto isso, por aqui, em todos os níveis- municipal, estadual e federal- muito blablablá e pouco planejamento e investimento de verdade, de gente grande.
Resumo da ópera: para professor brasileiro, volta às aulas é sinônimo de “se vira”!

Blog do Tas)

Crianças bilíngues têm mais facilidade na alfabetização, diz estudo

Crianças bilíngues apresentam um melhor desenvolvimento metalinguístico e se mostram mais atentas - Antonio Milena/AEUm novo estudo com crianças educadas em ambientes bilíngues examinou os efeitos de crescer falando dois idiomas. Segundo o texto, apesar da aquisição dos diferentes idiomas ser mais lenta, as crianças bilíngues têm uma compreensão metalinguística melhor e mais profunda sobre a estrutura das línguas, uma ferramenta importante para a alfabetização durante o período do desenvolvimento infantil.
Conduzida na Universidade York em Toronto, no Canadá, e publicada no periódico Child Development, a pesquisa também aponta que elas têm melhor desempenho em testes de controle executivo, que medem a habilidade da criança em focar a atenção onde é necessário sem se distrair e deslocar a atenção quando solicitado.

Como o bilinguismo é frequentemente ligado a outros fatores, incluindo diferenças culturais, situação socioeconômica e história de imigração, é difícil determinar qual aspecto da experiência bilíngue é o responsável pelos resultados.
Para determinar quais efeitos podem ser associados ao fato de crescer falando dois idiomas, os autores compararam mais de 100 crianças com seis anos de idade que falavam apenas uma língua e que falavam duas (apenas inglês, inglês e chinês, francês e inglês e espanhol e inglês). Eles aplicaram três tarefas que mediam o desenvolvimento verbal e uma tarefa que avaliava o controle executivo. Todas as crianças tinham nível socioeconômico similar.
Os grupos bilíngues eram diferentes  na similaridade entre as línguas, no contexto cultural, história de imigração e língua escolar. No entanto, em um teste de controle no qual as crianças precisavam mudar entre duas regras para classificar um conjunto de imagens, todos os grupos bilíngues desempenharam de modo similar e superaram os que só falavam um idioma. As diferenças na linguagem, cultura e imigração produziram a mesma vantagem em comparação às crianças  que só falavam um idioma. Em contraste, o melhor desempenho nas tarefas de linguagem foi alcançado por crianças bilíngues cuja língua de instrução era a mesma do teste e cujas duas línguas tinham mais sobreposição.
"Em suma, os resultados do controle executivo para as crianças bilíngues são gerais, mas o desempenho nos testes verbais é específico para fatores na experiência bilíngue, como quão próxima a criança é das duas línguas e se elas são avaliadas na mesma língua em que são ensinadas na escola", diz Ellen Bialystok, professora do departamento de psicologia da York University. 

Estadão

Dicas: aprenda brincando com quatro jogos de tabuleiro

O jogo Perfil, por exemplo, pode ajudar no aprendizado de história. Foto: Grow/DivulgaçãoTempo de férias também pode ser sinônimo de aprendizado. Mas, calma, ninguém está sugerindo que você troque o litoral por uma sala de aula no verão. É possível aprender brincando. É o que defende Marcus Vinícius Nunes, que escreveu com José Ricardo Martins os livros 100 Jogos Psicomotores - uma prática relacional na escola e 245 Jogos Lúdicos - para brincar como nossos pais brincavam.
De acordo com o mestre em Ciência da Educação, jogos e brincadeiras educativas são tão eficazes como (ou até mais) o modelo vertical, em que o professor fala e o aluno escuta.
"No momento em que o estudante é um sujeito do aprendizado, e não um mero coadjuvante, o conteúdo é melhor absorvido", defende. Além disso, Nunes afirma que a motivação de uma brincadeira - e até mesmo da competição gerada por ela - incentiva o aluno, que passa a se atentar mais no jogo e a desenvolver um maior raciocínio lógico com o objetivo de ganhar.
Apesar de afirmar que a maioria dos professores não costuma fazer uso de jogos como ferramenta de ensino em sala de aula, o professor defende sua adesão. "Não entendo por que não é mais utilizado pelas escolas, não sei se é por falta de conhecimento ou descrença. Mas é extremamente eficaz". O especialista atenta para o fato de que o educador deve sempre investir em jogos nos quais o fator sorte não interfira nas jogadas, permitindo que vença aquele que descobrir as melhores estratégias, pois é assim que o estudante de fato aprende.
Para tornar suas férias mais interessantes (e educativas), o Terra lista quatro jogos que, além de divertidos, desenvolvem seu raciocínio lógico em diversos conteúdos escolares. Confira na galeria no topo da página.
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra
Cartola - Agência de Conteúdo - Especial para o Terra

Alunos sentem orgulho de seus mestres e criam laços de afeto, diz pesquisa


De acordo com a pesquisa histórica realizada por Françoise Waquet, diretora de pesquisa do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França), mestres e discípulos criam um vínculo emotivo semelhante a de pais e filhos.



Produto desse estudo --e com um título condizente-- "Os Filhos de Sócrates" percorre séculos de história e reúne exemplos das mais diversas áreas, apresentando a figura universal do mestre, cujo arquétipo é Sócrates.
O filósofo não ficou famoso apenas por ser o ideal de professor, mas também pela fama de seus alunos, como Platão. O volume demonstra a diversidade e a complexidade de uma relação fundada no poder e no afeto, desvelando "um laço da alma".

Essa relação pessoal passar a existir como o modo de transmissão do verdadeiro saber, em contraste com o conhecimento dos livros. Abaixo, leia um trecho do livro.
*
A honra de ser aluno
A notoriedade do mestre também atinge o discípulo, ela se incorpora a seu capital. Isso é particularmente nítido em diversos rituais universitários. Por espécie de efeito especular, a honra prestada ao mestre se reflete no discípulo.
As coletâneas são frequentemente organizadas por discípulos, muitas contendo bibliografia e biografia do homenageado, depoimentos, artigos. Seus nomes podem, portanto, aparecer várias vezes no volume, às vezes na folha de rosto, próximo ao do mestre. Ademais, o elogio do mestre a coletâneas explicitamente apresentadas como a melhor prova de fecundidade de um ensinamento - lembrando "do fruto se julga a árvore" das coletâneas Folena - reverte aos autores de boas contribuições. A mesma demonstração se poderia fazer para as cerimônias de jubileu, que são igualmente uma representação elogiosa dos discípulos. Aí também os discursos unem o mestre e os alunos na mesma celebração. Afirmar, como no jubileu do professor de Direito Paul-Frédéric Girard, que "o sucesso dos alunos atesta o mérito do mestre", aumenta a glória deste; o elogio continua valendo para os primeiros, que não deixaram de ter triunfado.
Uma dedicatória, um agradecimento podem igualmente ser lidos nos dois sentidos. Eles honram o homenageado, mesmo porque cumprimentos e elogios geralmente lá estão presentes. Eles também conduzem estrategicamente o autor a ter seu nome associado a alguém importante. Isso está claramente explicado no prefácio de obra de Pierre de La Coste Messelière, que agradou a seus dois mestres e lhes dedicou sua obra sobre Delfos. "Era justo seus nomes no frontispício; assim, para que se tolerassem, ao lado de nomes ilustres, obras menos ambiciosas, estas eram dedicadas antigamente ao deus de delfos; marcadas por seus signo, reivindicaram a honra de terem sido por ele suscitadas e aceitas, o que comprometia um pouco sua responsabilidade e lhe conferia algum prestígio".
Declarar-se aluno de mestre famoso causa a mesma reciprocidade: algo da homenagem prestada reverte ao aluno. Não faltam aqueles que expressam "a honra" e "o orgulho" de ter sido alunos de mestre eminente, apresentando tal condição como "título". Bastará o exemplo "Eu sou o aluno de Bufnoir" que os alunos do professor de direito afirmavam "com orgulho do cidadão romano reivindicando a nobreza de sua origem". O mesmo vale para as placas na Itália colocadas por alunos sobre o túmulo de seu mestre, declinando sua condição, e para aquelas sobre o túmulo de aluno mencionando mestre ilustre: a homenagem a um enaltece o orgulho do outro. Do mesmo modo, a notoriedade do mestre beneficia o discípulo, que recolhe suas últimas palavras, que é encarregado da publicação dos originais; todas essas circunstâncias pessoais o discípulo rememora em necrológio, biografia, prefácio, evocando distinção, honra e orgulho. 

Folha

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

MOCHILA: SAIBA SE O PESO DE SUA MOCHILA ESTÁ CORRETO

Livros, cadernos, pastas, lanche. Só com itens básicos, a mochila do estudante já adquire um bom peso. Somada a outros materiais como objetos eletrônicos, brinquedos e roupas, o peso pode ultrapassar o recomendado por fisioterapeutas e ortopedistas e se tornar um potencial problema de postura e até de coordenação motora.
Segundo especialistas, o ideal é que os estudantes (crianças e adolescentes) carreguem até 10% do próprio peso. “A mochila deve ter duas alças, estar acima da linha da cintura e ser levada sempre nas costas”, alerta Luiz Eduardo Carelli, especialista do Centro de Tratamento das Doenças da Coluna do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).
Nesta semana, antes de voltar às aulas, teste se você vai carregar muito peso.

Na maioria dos Estados, como São Paulo e no Distrito Federal, os alunos da rede estadual retornam às escolas na quarta-feira, dia 1. Em outros locais, como no Rio de Janeiro, a folga vai até o dia 6. Colégios privados voltam a partir de segunda, dia 30, com calendários próprios.

Postura correta na infância significa menos problemas na vida adulta, avisa a fisioterapeuta e professora Susi Fernandes. “É importante apresentar medidas de educação postural para as crianças para evitar que elas se transformem em adultos problemáticos”, destaca a autora da tese de mestrado “Os efeitos da orientação postural na utilização de mochilas escolares em estudantes do ensino fundamental”, defendida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).
Por ser o eixo de sustentação do nosso corpo, a coluna também é responsável pelos movimentos psicomotores, como a escrita e a coordenação motora, essenciais na fase da alfabetização. Susi conta que muitas crianças sentem dores nas costas, ombros e braços, causadas pela postura incorreta. “Se o eixo estiver desalinhado, haverá sobrecarga nos braços”, ressalta a professora de fisioterapia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Na educação infantil e no ensino fundamental I (1º ao 5º ano) é mais fácil controlar o peso da mochila. Pais e professores estão atentos e fiscalizam o que as crianças carregam. Depois fica mais difícil, pois pré-adolescentes e adolescentes não permitem tanta vigilância. “É nesta fase que os problemas posturais ficam mais sérios”, aponta Susi.
Carelli recomenda arrumar a mochila diariamente e evitar carregar peso sem necessidade, como cadernos de dez matérias e fichários que não serão usados totalmente todos os dias. “Pais, escola e aluno devem ser responsáveis pelo peso correto da mochila. A escola orienta, os estudantes devem cumprir e não devem acrescentar itens que deixem a mochila pesada. Por fim, cabe aos pais fiscalizar”, completa.

O papel dos professores
Nos Estados de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul e nas capitais São Paulo e no Rio de Janeiro há leis que determinam que os estudantes não carreguem muito peso. A lei paulista limita o estudante a carregar até 10% de seu peso corporal. A carioca estipula um peso máximo de acordo com a idade do aluno. Em Minas, a legislação determina a proporção máxima de 5% de carga em relação ao peso total do estudante com até 10 anos. A proporção sobe para 10% quando a criança tem mais de 10 anos. No Rio Grande do Sul, o limite é de 5% do peso do aluno da educação infantil e de 10% do peso do aluno do ensino fundamental.
Mas se há recomendações e regras, por que crianças continuam a carregar mochilas pesadas? A fisioterapeuta Susi Fernandes levanta algumas hipóteses. A primeira delas está relacionada ao material carregado a mais, que não faz parte da vida escolar, mas é levado pelo estudante, como equipamentos eletrônicos, brinquedos e roupas. O peso da própria mochila, que sozinha pode chegar a cinco quilos também deve ser considerado. E o armário na escola, apontado como uma boa solução para evitar a sobrecarga, pode ser um vilão se alunos e professores não se organizarem. “De que adianta ter armário se o aluno precisa levar material para casa para estudar?”, questiona.
Para compreender o que professores sabem e pensam, a fisioterapeuta pesquisou o assunto. Entre as conclusões são que os mestres têm conhecimentos satisfatórios sobre a questão postural, mas baseados em empirismo, na experiência própria de vida. Sem preparo, não levam em conta a questão peso na hora de escolher o material didático, por exemplo. E a escola também não organiza o horário de forma mais sensata, que proporcione aos estudantes a possibilidade de carregar menos peso.

* Colaboraram Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul, Denise Motta, iG Minas Gerais, e Helson França, iG Mato Grosso